Política

Jair Bolsonaro mantém apoio em sua terra natal

Presidente recebeu a maioria dos votos em Glicério; população local está otimista

Guilherme Leal - Hojemais Araçatuba
27/07/19 às 09h10
Comerciante conta que trabalhou voluntariamente na campanha pela eleição do presidente (Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

Terça-feira, 23, de julho, três horas da tarde. As ruas de Glicério, cidade com pouco mais de 4,5 mil habitantes, localizada na região de Araçatuba estão praticamente vazias. Realidade pacata e bastante parecida com centenas de pequenos municípios paulistas. O que torna essa terra diferente é ter se tornado conhecida como a cidade onde nasceu o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).
Quase oito meses após a eleição, Glicério ainda é majoritariamente favorável ao presidente. Na eleição do ano passado, 56% dos eleitores glicerenses apertaram 17 na urna contra 23,8% que optaram pelo candidato do PT, o ex-ministro Fernando Haddad.


Comerciante há 29 anos ,Jorge Esteves Chideroli, 55, é um defensor ferrenho do presidente. Para ele, Bolsonaro foi enviado por Deus.


Ele recebeu a reportagem em um dos seus dois açougues enquanto analisava as fichas de “fiado” sobre a mesa. “Olha só a quantidade fiado, nessa unidade eu nem coloco a maquininha de cartão. O povo pega na confiança mesmo. E é essa mesma confiança que a gente tem no nosso presidente. Ele foi enviado por Deus pra salvar o Brasil dessa roubalheira.”


Jorge afirma que a cidade tem sofrido muito com a crise econômica que, segundo ele, piorou nos últimos anos. A economia de Glicério tem esteio principalmente numa fábrica de palmilha para calçados (que demitiu 70% dos funcionários). A outra fonte de renda dos moradores era uma usina em Brejo Alegre (a 44 km de Araçatuba) que fechou no ano passado.

Desemprego
Era nessa usina que trabalhava o marido da empresária e professora Luciana Marçal. Hoje desempregado, ele ainda não conseguiu se recolocar no mercado. Luciana votou em Bolsonaro e acredita que ele está fazendo um bom governo e a cidade pode se beneficiar com isso.
“O presidente acertou ao montar a equipe. Nomes como do ministro Paulo Guedes e Sérgio Moro são pra ninguém colocar defeito. Essa reforma da Previdência já devia ter passado. Todo mundo sabe que o Brasil precisa disso. E quem sabe algumas verbas podem ser mandadas pra gente,” afirma.


A comerciante endossa o discurso de Bolsonaro de que há muita coisa a se fazer, mas alguns congressistas não deixam. Ela diz que chegou a se beneficiar de linhas de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nos governos petistas para investir no pequeno mercado da família. No entanto, acredita que é preciso abrir a “caixa-preta” da instituição.
“Tem que descobrir o segredo desse bancos. Os governos petistas emprestaram muito dinheiro pra outros países, eles não pagaram e no fim, sabe quem pagou? Nós, os pequenos empresários.”

Fora da dicotomia
Embora seja um reduto majoritariamente bolsonarista, a linha de pensamento do presidente não é unânime na cidade, principalmente entre os jovens.


Filho de um comerciante e nascido em Glicério, o eletricista Guilherme Marques, de 24 anos, terminou ensino médio e viu boa parte dos amigos deixar a cidade em busca de oportunidades. Ele optou por ficar, tocar o bar junto com o pai e fazer alguns bicos.


Na última eleição, optou pelo candidato do PDT, Ciro Gomes, no primeiro turno, para fugir da escolha do dicotômica entre direita e esquerda. Já no segundo turno ele preferiu não votar, pois acreditava que a margem de Bolsonaro era muito ampla.


“Eu nem fui votar. Aqui em Glicério as pessoas não podem sequer ouvir críticas ao Bolsonaro. Não é porque eu não votei nele que eu sou petista. Não existe só direita e esquerda. Existem muitos outros partidos e linhas de pensamento. Aqui na cidade ninguém nunca tinha ouvido essa história de que o presidente era nascido aqui até ele dizer.”

O eletricista Guilherme Marques acredita que existem mais opções do que a polarização da disputa (Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

Também jovem, o advogado Luiz Petílio, 25 anos, afirma nunca ter ouvido nada sobre o nascimento de Jair Bolsonaro em Glicério antes da campanha. Petílio mora e trabalha em Araçatuba, mas tem família no município e por isso não mudou seu domicílio eleitoral.

Ele acredita que os primeiros meses de governo do presidente foram turbulentos e marcado por recuos em decisões equivocadas.

“Na campanha, muita gente estava com esperança em relação ao futuro governo, pois imaginava que a cidade teria reconhecimento e investimento. Até agora não foi possível constatar nada disso. A cidade precisa de muitas coisas, mas principalmente de empregos. É inaceitável que os jovens sejam obrigados a procurar cidades vizinhas para ter possibilidade de futuro,” analisa o advogado.

Igreja de Santa Terezinha, na praça central de Glicério, principal ponto turístico (Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

Bolsonaro viveu apenas oito meses na cidade

Jair Bolsonaro nasceu em 21 de março de 1955 e viveu apenas oito meses na cidade. depois, mudou-se com a família para Campinas. Embora no registro conste como cidade de nascimento Campinas, Bolsonaro contou em vídeos divulgados na internet que tinha mesmo nascido no noroeste paulista.

Mais de 60 anos após deixar a cidade, ele fez uma visita aos conterrâneos em 23 de agosto de 2018, durante período de campanha eleitoral, ao lado de aliados políticos como a então candidata Carla Zambelli (PSL). Uma multidão recebeu Bolsonaro que discursou ao lado de autoridades como o prefeito Ildo de Souza (PSDB).

Memória
Bolsonaro afirmou, na época, que “um povo que esquece o seu passado está condenado a não ter futuro.” O presidente também recebeu a bandeira da cidade das mãos do prefeito que estava ao lado de outros chefes do Executivo da região, como o prefeito de Braúna Flávio Giussani (PTB).

Rio de Janeiro
Bolsonaro fez toda sua carreira política no Rio de Janeiro, estado pelo qual se elegeu deputado federal em 1991, até vencer a corrida presidencial no ano passado. De acordo com moradores mais velhos, o parto do presidente teria sido feito pela parteira Marieta Matos Nogueira, já falecida.  A casa onde família viveu foi demolida, mas todos na cidade conseguem apontar o terreno. 

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