O médico Lucas Rodrigo Oliveira Viana disse em depoimento nesta quarta-feira (16) à CP (Comissão Processante) que investiga possível ato de improbidade por parte do prefeito de Birigui (SP) na condução do pronto-socorro municipal disse que até hoje os plantonistas não receberam os salários do período de 26 de janeiro a 4 de fevereiro.
Esse foi o período em que houve a transição entre a OSS (Organização Social de Saúde) Irmandade da Santa Casa de Birigui e o Isma (Instituto São Miguel Arcanjo), atual responsável pela contratação dos médicos.
Ele confirmou boa parte das informações que foram divulgadas em áudio pelo também médico Thiago de Camilo Figueiredo Mattos, sobre problemas que teriam ocorrido no pronto-socorro após a mudança de gestão, que é a base da denúncia que foi aceita contra o prefeito Leandro Maffeis (PSL).
Mudança
De acordo com Viana, depois da mudança de gestora muita coisa mudou, pois a partir de então a Santa Casa teria deixado de abastecer o pronto-socorro com medicamentos e equipamentos, já que o contrato havia sido rompido pela Prefeitura.
Com isso, pacientes teriam ficado inclusive sem alimentação, segundo o médico, e o prefeito teria ido no período noturno levar alimentos, o que teria feito de forma voluntária.
Ele disse que o que os médicos haviam pedido à administração municipal foi a expansão do espaço físico para ampliar o atendimento para casos de covid-19 quando ocorreu a mudança.
Contrato de trabalho
Viana afirmou que não teve nenhum tipo de contrato assinado com a nova gestora, que teria sugerido inclusive fazer o pagamento dos salários “por caixa 2”, sem declarar os valores, o que não teria aceitado, pois teria optado por emitir nota fiscal.
O médico disse ainda que depois de um período com a nova gestora ele optou por deixar de prestar serviço para o pronto-socorro. De acordo com ele, o Isma contratou muitos médicos, mas a maioria sem experiência em intubação, comprometendo o atendimento aos pacientes.
A Prefeitura foi questionada pelo Hojemais Araçatuba e argumentou que os médicos tinham vinculo com a OS Santa Casa de Birigui. "Como houve uma lacuna de 8 dias, os mesmos requereram os pagamentos destas datas e o pedido se encontra na Secretaria de Negócios Jurídicos da Prefeitura para analisar a legalidade e forma de pagamento", informou em nota.
Interrogatórios
Essa quarta-feira foi o primeiro dia de depoimentos de testemunhas convocadas pela CP. Os médicos Thiago de Camilo e Jossef Said Boutros não compareceram. O último justificou que estava em serviço de emergência como plantonista. Vanessa Chioderoli Atale também não compareceu.
Além de Viana, prestaram depoimento as enfermeiras Lígia Freitas e Rosana Stábile Costa; a chefe de Divisão de Assistência Farmacêutica, Natalia Forcassim Jorge Coelho; a farmacêntica Caroline Mendes Delgado; e a enfermeira-chefe Márcia Galhardo Garcia.
Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente da CP, vereador André Luís Moimas Grosso (PSDB), o André Fermino. Também fizeram perguntas os vereadores Paulo Sergio de Oliveira (Avante), o Paulinho do Posto; e Marcos Antônio Santos (PSL), Marcos da Ripada.
Segundo o presidente da CP, ainda serão avaliadas as medidas que serão tomadas com relação aos faltosos, pois as oitivas terão continuidade nesta quinta-feira (17), a partir das 9h.
Os trabalhos podem ser acompanhados no plenário e são transmitidos ao vivo pela televisão, no canal 18.3, e pela internet – pelas redes sociais da Câmara no Youtube e Facebook.
