A atriz Regina Duarte assume nesta quarta-feira (4) a Secretaria Especial da Cultura, mais de um mês depois de ter aceitado o convite do presidente Jair Bolsonaro para o cargo. No entanto, nesta terça-feira (3), véspera da posse, a atriz fez um “limpa” na pasta, exonerando de uma só vez 15 bolsonaristas e conservadores.
Entre os nomes está o da administradora de empresas Gislaine Targa Neves Simoncelli, de Araçatuba (SP), nomeada no dia 10 de janeiro deste ano como chefe de gabinete da Sefic (Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura), além de quatro secretários: Camilo Calandreli (Sefic), Reynaldo Campanatti Pereira (Secretaria da Economia Criativa), Rodrigo Maximiano Junqueira (Seinfra - Secretaria de Difusão e Infraestrutura Cultural) e Marcos Villaça (Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual).
As exonerações serão publicadas no Diário Oficial desta quarta-feira (4), no entanto, os servidores já foram comunicados hoje.
Os novos nomes para os cargos não foram divulgados. Notícias na imprensa falam apenas em “escolha a dedo” de secretários, assessores e diretores com perfis técnicos.
Convites
Gislaine contou para a reportagem do Hojemais Araçatuba que os rumores começaram ontem, quando foram entregues os convites para a posse, excluindo os atuais secretários da pasta.
Hoje, publicação do Diário Oficial nomeou Marcos Teixeira Campos para o cargo de presidente substituto da Funarte (Fundação Nacional das Artes).
Campos é ligado ao PSOL do Rio de Janeiro, possui histórico de participação em movimentos grevistas e teria sido nomeado para substituir em breve o atual presidente da fundação, o maestro Dante Mantovani, que é um conservador e apoiador histórico de Jair Bolsonaro.
Mesmo sem nenhum cargo na estrutura, quem comanda a pasta é Humberto Braga, homem de confiança de Regina e que provavelmente assumirá um posto de comando.
Limpa
“Ela limpou a pasta toda. Éramos todos bolsonaristas, pró-governo e com uma meta muito clara com relação a limpar a questão ideológica da pasta, limpeza essa que passa longe da questão de proibir arte, porque sabemos que a Lei Rouanet não funciona assim. Mas a questão ideológica da pasta é muito forte e essa era nossa meta: tirar esse peso da ideologia esquerdista de cima da pasta. Infelizmente, nem deu tempo”, lamentou.
Gislaine também destacou declarações de Regina falando que faria mudanças em “doses homeopáticas”. “Agora estamos entendendo isso como uma jogada”, concluiu.
*Matéria atualizada às 23h40 para inserção dos nomes dos secretários exonerados e suas respectivas pastas