Dezenas de pais e mães foram à Câmara dos Vereadores de Araçatuba (SP) protestar contra a atuação de homens em creches municipais, principalmente nos cuidados com a higiene íntima das crianças.
Contratados como agente escolar, os homens têm, entre outras funções, a responsabilidade de dar banho, limpar e trocar fraldas de bebês. No entanto, a Prefeitura afirma que banho em meninas é dado por profissionais do sexo feminino.
De acordo com uma das mães ouvidas pelo Hojemais Araçatuba , a intenção não é eliminar os homens da Educação, porém que eles sejam encaminhados para outras funções dentro da escola. “O que não queremos é um homem tocando nas partes íntimas dos nossos filhos”, disse a mulher, que tem um casal de gêmeas, de 2 anos e meio de idade, matriculado na rede municipal de ensino.
Plenário
Diante de cartazes com frases de protesto, o vereador Lucas Zanatta (PV) pediu a ordem e colocou o tema em debate no plenário. “É um assunto que não vai ser esquecido”, disse.
Cláudio Henrique da Silva, o professor Cláudio, (PMN), que preside a Comissão de Educação da Câmara, sugeriu o agendamento de uma reunião com a secretária de Educação, Silvana de Sousa e Souza, para resolver de vez a questão.
Líder do governo na Câmara, Jaime José da Silva (PTB) lembrou que é preciso agir com racionalidade e sugeriu uma pesquisa sobre o grau de insatisfação dos pais com a situação. “Se a proposta for rejeitada pela maioria do público, aí é preciso mudar. Não temos como atender individualmente”, destacou.
Para Arlindo Araújo (Cidadania) o problema é grave porque mexe com os costumes e valores das famílias e deve ser decidido pelo prefeito (Dilador Borges-PSDB), que foi eleito e manda no município. “As pessoas não votaram na secretária (da Educação), votaram no prefeito (...) eu duvido que se fosse uma neta dele ele iria querer um homem dando banho”, disparou.
Durante a sessão e pressionado por Zanatta, Dr. Jaime se comprometeu em buscar uma resposta para o problema que será apresentada em, no máximo, duas semanas.
Agentes
Questionada sobre o problema, a Secretaria da Educação de Araçatuba informou que a distribuição dos agentes por escolas está sendo realizada desde 2019 de forma equilibrada entre profissionais do sexo masculino e feminino. “Todas as famílias que manifestam constrangimento do filho ter os cuidados de higiene feitos por profissional do sexo masculino têm à disposição profissionais do sexo feminino e vice-versa. Nos casos em que o agente do sexo masculino faz o atendimento, ele está sempre acompanhado de uma profissional do sexo feminino, independente do sexo da criança que está passando pelo banho higiênico”, explicou.
A nota enviada pela assessoria de imprensa da Prefeitura destaca que as escolas são dotadas de câmeras de segurança monitoradas pela Guarda Municipal.
Reunião
Nesta terça-feira (18), houve uma reunião com alguns pais que participaram do manifesto na Câmara, para esclarecimento de dúvidas. “Inclusive que o atendimento às meninas já está feito pelas profissionais do sexo feminino, como estava desde o início”, informou a pasta.
A reportagem conversou com uma das mães que participou da reunião, que disse não estar segura em mandar as filhas para a escola, pois foi informado que na falta de uma profissional do sexo feminino, o agente escolar poderá fazer a higiene das crianças.
“O que queremos é que essa função seja retirada não apenas de boca, mas da lei que criou o cargo”, disse.