Política

Projeto que regulariza bairro Colinas é aprovado em regime de urgência

O mesmo texto, sem qualquer alteração, foi rejeitado com duras críticas pela oposição em março deste ano; sessão teve dois projetos de urgência

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
08/11/22 às 23h15

Rejeitado em março deste ano, com duras críticas da oposição, o projeto de lei que regulariza as áreas do bairro Colinas, em Birigui (SP), foi aprovado na sessão desta terça-feira (8), em regime de urgência. O pedido para tramitação especial foi assinado por seis vereadores – quatro deles que votaram contrário anteriormente. 

De acordo com o texto aprovado, o Executivo está autorizado a alienar áreas de terra do loteamento, inutilizadas pela administração municipal, a proprietário de imóvel lindeiro, mediante prévia avaliação, por meio de laudo da Secretaria Municipal de Obras.

O interessado pela aquisição da área deverá protocolar requerimento junto à Prefeitura, apresentando documento do proprietário e do imóvel a ser regularizado.

O pagamento da referida faixa de terra deverá ser feito à vista, o ato da lavratura da escritura, após entrada em vigor da lei, sendo todas as despesas com desmembramento, abertura de matrícula, escritura, registro, dentre outras despesas notariais necessárias, de responsabilidade do proprietário do imóvel a ser regularizado.

Problema

Conforme informações do projeto, no residencial, que é de 1997, há 487 áreas e todas as esquinas são arredondadas, existindo uma área pública de 14,92 metros quadrados. Praticamente todas foram invadidas pelos proprietários dos lotes lindeiros ao construir seus imóveis e, portanto, estão irregulares.

A discussão sobre o tema teve início neste ano, quando apareceram os primeiros projetos de lei para regularizar situações individuais a pedido do morador. Após o Jurídico da Câmara notar que a situação não era apenas de um morador, mas de todo um bairro, passou a exigir documentação do residencial para emissão de parecer favorável aos projetos individuais. Posteriormente, a Prefeitura enviou o projeto de lei nº 28/2022, que daria a possibilidade de regularização para todos os moradores do bairro que tivessem interesse, texto que foi considerado legal pelo Jurídico.

Votação anterior

A matéria foi para votação no dia 22 de março, mas recebeu pedido de vistas feito pelo vereador Everaldo Santelli (PV). Retornou na sessão seguinte, mas não conseguiu a votação necessária, que era maioria qualificada de votos, ou seja, dez votos.

Na ocasião, foram favoráveis ao projeto os vereadores Benedito Dafé (PSD), César Pantarotto Júnior (PSD), Everaldo Santelli, Marcos Antonio Santos, o Marcos da Ripada (União), Reginaldo Fernando Pereira, o Pastor Reginaldo (PTB), Sidnei Maria Rodrigues, a Si Combate ao Câncer (Avante) e Valdemir Frederico, o Vadão da Farmácia (PTB). E quatro contrários – Paulo Sergio de Oliveira, o Paulinho do Posto (Avante), Cleverson José de Souza, o Tody da Unidiesel (Cidadania), Wagner Mastelaro (PT) e José Luís Buchalla (Patriota).

Estavam ausentes na sessão Andre Luis Moimas Grosso, o Andre Fermino (PSDB), Osterlaine Henriques Alves, a Dra. Osterlaine (DEM), Fabiano Amadeu (Cidadania) e Wesley Ricardo Coalhato, o Cabo Wesley (União).

Novo número

Na sessão desta terça-feira, o projeto recebeu o número 134/2022, porém o conteúdo é idêntico ao projeto rejeitado.

O pedido de urgência foi assinado pelos vereadores André Fermino, Tody da Unidiesel, Zé Luiz Buchalla, Paulinho do Posto, Dra. Osterlaine e Wagner Mastelaro.

O vereador Everaldo Santelli se disse surpreso com a votação em regime de urgência do mesmo texto rejeitado anteriormente. Na ocasião, ele defendeu a aprovação da matéria e chegou a comemorar o envio de documentos por parte da Prefeitura para que o projeto recebesse o parecer legal.

“Por que algo que foi rejeitado retorna agora, com o mesmo texto? Errou no passado e está acertando agora? Se for isso, tudo bem, vamos beneficiar a população. Porém poderíamos ter beneficiado lá atrás”, desabafou.

O presidente da Casa, Cesinha Pantarotto, explicou que colocou o texto para votação devido ao número significativo de assinaturas no pedido de urgência e ressaltou que, como o projeto anterior tinha parecer favorável do Jurídico, esse também teria, pois não houve nenhuma alteração.

O projeto foi aprovado com 14 votos. O único contrário foi o do Cesinha Pantarotto, que destacou, mais uma vez, que não vota urgência, mantendo a postura adotada desde o mandato anterior

Votação desta terça-feira (8) (Imagem: reprodução de vídeo)

Desabafo

Na fase de Explicações Pessoais, o Pastor Reginaldo fez um desabafo e disse ter nojo de “politicagem”.

Ele começou o discurso destacando que são legítimos os pedidos de adiamento, vistas e a soberania do Plenário. No entanto, lembrou que muitas famílias estavam envolvidas no projeto quando foi apresentado e tiveram crises quando o mesmo foi rejeitado, em março, e o texto aprovado agora não tem “nenhuma vírgula” diferente do anterior.

“É vergonhoso e me deixa estarrecido, porque se tivesse tido alterações, se o projeto tivesse sido melhorado (...) os discursos aqui são muito bonitos na teoria, mas falta a prática da empatia e isso na política, que é termo pejorativo, a politicagem, dá nojo, é repugnante”,  disse, citando na sequência uma frase bíblica: “Não há nada encoberto que não seja revelado, nada oculto que não venha à luz”.

Também pediu que a população acompanhe de perto todos os atos do Executivo e Legislativo, nas esferas municipal, estadual e federal.

Na sequência, Cesinha Pantarotto voltou a justificar o motivo por ter colocado o projeto em votação e também desabafou sobre as especulações sobre a participação dele nas manifestações contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“A política está nojenta. Tem mais pessoas preocupadas em destruir do que construir”, ressaltou, explicando que tem sido perseguido por pessoas que querem registrar atos que desabonem sua figura como presidente.

Mais urgência

Também foi aprovado em regime de urgência, projeto de lei, de autoria dos vereadores Dra. Osterlaine e Paulinho do Posto, que autoriza o Executivo a transferir recursos financeiros às Associações de Pais e Mestres, entidades sem fins lucrativos, das escolas da rede pública de ensino, por meio de termo de colaboração, para fins de manutenção e conservação de prédios municipais, permitindo pequenos reparos, consertos e manutenção de pequena monta.

As associações serão especificadas em decreto, assim como a operacionalização, os critérios, as condições do repasse, quais tipos de manutenções e reparos a serem permitidos, prestação de contas e plano de trabalho. Uma das intenções do texto, é destinar recursos por meio das emendas impositivas.

Homenagens

Foram aprovados ainda na sessão duas homenagens. Uma delas adota o nome do senhor Santo Loqueti para denominar ponte no município de Birigui; a outra adota o nome da senhora Takae Ocawada para denominar estrada rural. Os textos são de autoria de Marcos da Ripada e Cabo Wesley, respectivamente.

Veja a sessão na íntegra

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