Política

Sob pressão popular, Câmara aprova criação de CPI da Saúde em Araçatuba

Proposta foi apresentada em março pelo vereador Boatto, mas não tinha o número de votos necessários para instauração

Agência Trio Notícias
17/06/24 às 21h26
A presidente da Câmara sinaliza positivamente para a instalação da CPI (Foto: AG Cardoso/AI Câmara)

Após uma sessão tumultuada, que durou menos de dez minutos, devido à presença maciça de moradores, a Câmara de Araçatuba (SP) aprovou a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o atendimento de saúde na cidade.

O pedido para a instauração da comissão foi apresentado pelo vereador Luís Boatto (MDB), que é da oposição, na sessão de 11 de março, com a necessidade de cinco assinaturas de parlamentares para a abertura. Na ocasião, foram favoráveis os vereadores Arlindo Araújo, que é do mesmo partido do autor da proposta, e Lucas Zanatta (PL), situação que se mantinha até esta segunda-feira.

Pela manhã, um pequeno grupo de familiares de pessoas que morreram após atendimento médico no pronto-socorro nos últimos meses esteve na frente da unidade de saúde para manifestar, pedindo melhorias na Saúde de Araçatuba.

E durante a sessão, a galeria da Câmara foi tomada por populares que estavam munidos de cartazes, faixas e até de um caixão de papelão com as fotos dos vereadores que não haviam assinado o pedido de instauração de CP. Uma coroa de flores também foi levada para a sede do Legislativo.

Suspensa

Ainda no início da sessão, quando era feita a leitura de documentos diversos, os manifestantes já passaram a se manifestar, pedindo a instauração da CPI. Como o regimento interno não permite a manifestação dos ocupantes da galeria, a presidente da Casa, Cristina Munhoz (UB), suspendeu a sessão inicialmente por 20 minutos.

O vereador Dunga (UB) chegou a sugerir à presidência que mandasse a TV Câmara filmar a galeria, pois haveria mais de uma dezena de pré-candidatos a vereador entre os manifestantes, sugerindo possível crime eleitoral.

Passados os 20 minutos, Cristina Munhoz retomou a sessão e abriu espaço para que algumas pessoas pudessem usar a tribuna. Apenas uma mulher se pronunciou, mas os demais integrantes do grupo voltaram a se manifestar. A sessão foi suspensa novamente e depois encerrada.

Assinaturas

Os manifestantes permaneceram na galeria por mais de uma hora e, às 20h10, a presidente da Casa retornou e informou que, após uma reunião entre alguns parlamentares, foram obtidas as assinaturas necessárias para a abertura da CPI.

Usando o megafone de um dos presentes na galeria, ela informou os nomes dos vereadores que decidiram assinar a proposta. Fazem parte do grupo a própria Cristina Munhoz, Arnaldinho (Cidadania), Coronel Guimarães (Republicanos), Nelsinho Bombeiro (PSD), Wesley da Dialogue (Podemos) e Dr. Alceu (PSDB).

Com as assinaturas favoráveis, agora a proposta é encaminhada para a Presidência da Câmara, que convocará todos os vereadores para decidir quem serão os integrantes da CPI, que podem ser composta de três ou de cinco parlamentares, o que ainda será definido.

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