Vereadores de Araçatuba (SP) questionaram a Prefeitura sobre possível apoio à 3ª Parada do Orgulho LGBTQIA+. O evento aconteceu no último domingo (4), na rua Tenente Alcides Theodoro dos Santos, em frente ao recinto de exposições Clibas de Almeida Prado.
Assinado por seis vereadores - Maurício Rufino Barbosa, o Maurício Bem Estar (PP), Arnaldo da Silva, o Arnaldinho (Cidadania), Manuel Alves Guimarães, o Coronel Guimarães (União Brasil), Nelson Marques Filho, o Nelsinho Bombeiro (PV), João Moreira (PP) e Alceu Batista de Almeida Júnior, o Dr. Alceu (PSDB) – o documento aprovado em Plenário pede informações sobre possível liberação de recursos públicos do município para custear a realização do evento e valores, em caso afirmativo.
O tema não foi discutido pelos autores, porém o vereador Antônio Edwaldo Dunga Costa (DEM) fez críticas ao evento, que geraram manifestação e repúdio de movimentos LGBTQIA+ nas redes sociais.
Dunga iniciou falando da simpatia que tem pelo movimento, destacando que foi criado na rua 15 de Novembro, o que dispensaria qualquer explicação adicional – há algumas décadas, a localidade era conhecida por ser reduto de prostituição motivada pela estrada de ferro que passava próximo.
E continuou a fala questionando a “forma como as coisas têm sido feitas”, chamando de “farra” e citando que há atualmente uma inversão de valores da qual não compactua.
“Nunca vou aceitar isso daí. A Prefeitura me desculpe (...) Nossos filhos são obrigados a aceitar pessoas de roupas íntimas? (...) É uma forma vulgar, que vilipendia o ser humano”.
Após a fala, o vereador foi aplaudido pelas pessoas que acompanhavam a sessão presencialmente. Ele chegou a ser interrompido pelo presidente Dr. Alceu, mas prosseguiu: “isso virou uma putaria” e ainda falou sobre sexo entre adolescentes no recinto de exposição.
Assim que Dunga concluiu, Dr. Alceu ressaltou que o requerimento com pedido de informações oficiais é apenas para saber se houve gastos do município, sem nenhum outro teor.
Repúdio
A Agendda (Associação Gênero, Diversidade, Direitos e Afetividade) publicou nota de repúdio
(Veja abaixo)
às falas “homofóbicas e desrespeitosas” proferidas pelo vereador na sessão.
A associação ressaltou que o evento foi realizado dentro de todas as legalidades previstas, não havendo nenhuma intercorrência, ato violento, ou qualquer situação que ferisse a integridade de ninguém.
“Evento gratuito, aberto ao público, que acolheu todas, todos e todes, sem qualquer distinção, contando com a presença de famílias homoafetivas, heteroafetivas, crianças, idosos, pessoas com deficiência etc, sendo esse um marco, pois expressa exatamente a representação da diversidade das pessoas, além de entidades religiosas que ali estavam para acolher, e não discriminar!”, diz a postagem.
"É triste ver que ainda assim temos que vivenciar manifestações desrespeitosas como o ocorrido durante a sessão de hoje (ontem) na Câmara Municipal, falas carregadas de preconceito, ódio e sem qualquer justificativa a não ser difamar o movimento e a luta de nossa comunidade, mas não nos abalaremos, seguiremos na luta por uma sociedade justa, igualitária e que respeite a diversidade das pessoas, a pluralidade dos corpos e acima de tudo, o direito de ser quem se é e de amar quem quiser! Existimos, somos e seremos resistência!”, conclui.
Conselho
Nesta quarta (7), a associação protocolou manifestação ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, para que tomem providências cabíveis sobre a conduta do vereador.
"Existimos e entendemos que se faz necessário enfrentar as referidas manifestações discriminatórias que perpetuam e fomentam a violação dos direitos humanos da população LGBTQIA+, conforme expressado no artigo 2.º da Lei Estadual 10.948/01".
O artigo citado considera atos atentatórios e discriminatórios dos direitos individuais e coletivos dos cidadãos homossexuais, bissexuais ou transgêneros "praticar qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica".
O evento
Conforme
matéria publicada pelo Hojemais Araçatuba,
a 3ª edição da Parada LGBTQIA+ foi realizada pela Agendda e Associata (Associação dos Artistas Teatrais da Região de Araçatuba), por meio do #JuntosPelaCultura, programa de difusão cultural ligado à Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, sem recursos dos cofres municipais.