A campanha Agosto Dourado reforça a importância do aleitamento materno para a saúde da mãe e do bebê. Embora muitas pessoas associem a amamentação apenas à nutrição, o processo também está diretamente relacionado ao desenvolvimento da musculatura oral, da respiração e da sucção do recém-nascido. Nesse contexto, a atuação da fonoaudiologia é fundamental desde a gestação até os primeiros meses de vida.
A fonoaudióloga Nathani Cristina, especialista em Motricidade Orofacial e Distúrbios Respiratórios do Sono, explica que sua trajetória acadêmica sempre esteve voltada para o estudo da musculatura envolvida na respiração e na sucção. Formada em Fonoaudiologia pela Unesp de Marília em 2015, ela concluiu mestrado, doutorado e atualmente desenvolve pesquisa de pós-doutorado na instituição, investigando a relação entre amamentação e distúrbios respiratórios do sono em bebês.
Segundo a especialista, durante o mestrado foi desenvolvida uma proposta terapêutica para pacientes com ronco e apneia do sono. No doutorado, a pesquisa passou a focar a população infantil, enquanto o pós-doutorado investiga como alterações na amamentação podem influenciar problemas respiratórios durante o sono e, ao mesmo tempo, como esses distúrbios podem interferir no sucesso do aleitamento.
Acompanhamento começa na gestação
De acordo com Nathani, o trabalho do fonoaudiólogo não começa apenas após o nascimento da criança. Ainda durante a gravidez, o profissional pode orientar a futura mãe sobre técnicas de amamentação, posições mais confortáveis para ela e para o bebê, além de preparar a família para esse momento. "O fonoaudiólogo atua desde a gestação, ensinando como amamentar, quais posições favorecem uma sucção eficiente e proporcionando mais conforto para mãe e bebê durante esse processo" , explica.
Após o parto, a atuação continua com a realização do teste da linguinha, exame responsável por verificar se a anatomia da língua permite uma sucção adequada. Caso seja identificada alguma alteração, o profissional avalia se ela interfere na alimentação e indica o tratamento mais adequado. "O nosso trabalho é avaliar a função da sucção, identificar possíveis dificuldades e intervir para restabelecer o equilíbrio da musculatura oral, favorecendo uma amamentação eficiente" , destaca.
