As escolas particulares de diversas cidades do país já estão se movimentando para o retorno das suas aulas presenciais, decisão essa que tem tido o apoio de pais e educadores. Para os educadores ouvidos nesta reportagem há o consenso de que a falta de socialização dos estudantes no ambiente escolar pode prejudicar a saúde mental dos estudantes.
A prefeitura de João Pessoa (PB), recentemente, autorizou a retomada das aulas presenciais do ensino infantil ao médio. Na cidade, a instituição Neo Gênesis Colégio e Curso é uma das que estão preparadas para receber os estudantes com toda a segurança exigida pelos protocolos de prevenção à Covid-19.
“Estamos seguindo todas as recomendações ditadas pelo governo. Tomamos todos os cuidados para não haver aglomeração, cuidados com a sinalização, disponibilização de álcool em gel, modificamos o bebedouro para facilitar que os alunos bebam água em garrafinhas individuais e vamos fechar algumas áreas da escola”, diz o diretor Phelipe Ferreira.
Para a diretora do Colégio Essere , de São Paulo, Priscila Raso, o retorno às aulas presenciais para os alunos da educação infantil será diferente dos ensinos fundamental e médio e das faculdades. Na opinião da educadora, o desafio para os profissionais da educação que lidam com o público infantil vai ser trabalhar a questão emocional na volta às aulas.
“Com os alunos menores o processo é mais delicado, pois envolve o emocional das crianças. Por isso, manter o vínculo da criança com a escola durante o isolamento social é importante, pois esse período mexeu muito com a saúde mental das crianças”, avalia Raso.
O convívio escolar é propício para a expressão de sentimentos, de acordo com a psicóloga Sabrina Costa. “A escola pode ajudar os alunos a estarem conectados com a vida, além de fazer com que criem espaço de transparência e diálogo”, ressalta.
Para o diretor escolar Phelipe Ferreira, o prejuízo vai além do conteúdo. “Na minha visão, não é só a perda de socialização, de contato físico, do contato com a escola. O conteúdo a gente recupera, mas o tempo sem o contato com as pessoas pode prejudicar a mente das crianças”, argumenta.
