O mês de junho é marcado pela campanha Junho Prata, movimento dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. A iniciativa busca sensibilizar a sociedade sobre a importância do respeito, da valorização e da proteção dos idosos, além de alertar para situações de negligência, abandono e outras formas de violação de direitos.
De acordo com a assistente social da Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) Mariavó, Luciana Aparecida Mantovani Machado, a campanha representa uma oportunidade para fortalecer o debate sobre o envelhecimento digno e a necessidade de garantir qualidade de vida à população idosa.
“O Junho Prata nos faz refletir sobre o respeito, a valorização e a proteção das pessoas idosas. É um momento importante para conscientizar a sociedade sobre os direitos dessa população e combater qualquer forma de violência, preconceito ou abandono”, destacou.
Segundo Luciana, os casos mais frequentes de violência contra idosos envolvem abandono, negligência, agressões físicas e psicológicas. No entanto, ela chama atenção para uma prática cada vez mais recorrente: a exploração financeira.
“Temos observado muitos casos em que o patrimônio, os benefícios ou a renda da pessoa idosa são utilizados por terceiros sem seu consentimento. Trata-se de uma grave violação de direitos que muitas vezes ocorre de forma silenciosa”, alertou.
Luciana explica que, na maioria das situações, a violência acontece dentro do próprio ambiente familiar, tornando o problema ainda mais delicado. Isso porque o agressor costuma ser alguém próximo, em quem o idoso confia ou de quem depende emocionalmente e financeiramente.
O Estatuto da Pessoa Idosa assegura uma série de direitos fundamentais, entre eles acesso à saúde, alimentação, moradia, transporte, lazer, cultura, convivência familiar e comunitária, além de atendimento prioritário e proteção contra qualquer forma de violência, discriminação, exploração ou abandono.
Os impactos da violência podem ser devastadores para a saúde física e emocional das vítimas. Além de lesões e agravamento de doenças, os idosos podem desenvolver quadros de ansiedade, depressão, isolamento social, perda da autoestima e medo constante.
A assistente social ressalta que a família desempenha papel essencial na prevenção desses casos. O respeito, o diálogo, a escuta e a valorização da autonomia do idoso são fatores fundamentais para garantir um envelhecimento seguro e saudável.
Em Três Lagoas, pessoas idosas em situação de risco podem contar com uma rede de proteção composta pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), responsável pelo atendimento e acompanhamento de casos de violação de direitos, além dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), serviços de saúde, Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa e órgãos de segurança pública.
Em situações de suspeita ou confirmação de violência, a orientação é denunciar. Os casos podem ser comunicados por meio do Disque 100, do CREAS, do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa ou das autoridades policiais.
Para encerrar, Luciana reforça a importância do engajamento coletivo na proteção da população idosa.
“Precisamos olhar para a pessoa idosa com mais respeito, cuidado e atenção. Muitas situações de violência acontecem de forma silenciosa, inclusive dentro da própria família. É fundamental que todos estejam atentos aos sinais e não se calem diante de uma suspeita. Denunciar é um ato de proteção e cidadania”, concluiu.
