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SUS terá medicamento nacional contra esclerose

Produção nacional da cladribina oral deve reduzir custos e ampliar acesso ao tratamento pelo SUS

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas 
21/05/26 às 14h12
Foto: Divulgação

O medicamento de alto custo cladribina oral, utilizado no tratamento da esclerose múltipla e já disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), passará a ser produzido no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz . A medida deve reduzir os custos de aquisição da medicação e ampliar o acesso de pacientes ao tratamento.

Comercializado sob o nome Mavenclad, o remédio foi incorporado ao SUS em 2023 para pacientes diagnosticados com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR) altamente ativa. O tratamento é indicado para pessoas que apresentam surtos frequentes ou rápida progressão da doença, mesmo utilizando terapias convencionais.

Atualmente, o custo médio do tratamento com a medicação é de quase R$ 140 mil por paciente ao longo de cinco anos. A estimativa é de que cerca de 3,2 mil brasileiros convivam com a forma altamente ativa da doença.

Esclerose múltipla afeta mais de 30 mil brasileiros

Apesar dos casos considerados de alta atividade, mais de 30 mil pessoas no Brasil convivem com a esclerose múltipla do tipo remitente-recorrente, considerada a forma mais comum da doença. O quadro é marcado por surtos alternados com períodos de remissão.

A esclerose múltipla é uma doença crônica degenerativa que compromete o cérebro e a medula espinhal. A evolução pode ocorrer de forma lenta ou progressiva, apresentando diferentes níveis de comprometimento entre os pacientes.

Em casos mais graves, a doença pode provocar cegueira, paralisia e perda das funções cognitivas.

Cladribina é considerada tratamento inovador

A cladribina é apontada como o primeiro tratamento oral de curta duração com eficácia prolongada no controle da esclerose múltipla remitente-recorrente. Por conta dos resultados apresentados, o medicamento foi incluído na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde .

Estudos recentes apresentados durante o 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS) mostraram que pacientes tratados com a medicação tiveram redução de lesões neuronais em um período de dois anos.

Outras pesquisas apontaram que 81% dos pacientes conseguiram caminhar sem necessidade de apoio, enquanto mais da metade não precisou utilizar outros medicamentos complementares após o tratamento.

Parceria vai fortalecer produção nacional

A produção nacional da cladribina será resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), da Fiocruz, a farmacêutica Merck , responsável pela fabricação do Mavenclad, e a indústria químico-farmacêutica Nortec.

Segundo a diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, este será o primeiro medicamento produzido pelo instituto voltado especificamente ao tratamento da esclerose múltipla.

Ela destacou que a iniciativa reforça o compromisso da Fiocruz com o fortalecimento do SUS e com a ampliação do acesso a tratamentos inovadores produzidos em território nacional.

De acordo com o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, as parcerias também fortalecem a cooperação tecnológica entre instituições brasileiras e internacionais, além de consolidar o papel estratégico dos laboratórios públicos para garantir sustentabilidade aos programas do SUS, reduzir preços e manter a qualidade dos medicamentos.

Fiocruz mantém novos acordos com farmacêutica

 

Além da produção da cladribina, a Fundação Oswaldo Cruz possui outros dois acordos em andamento com a Merck. As parcerias envolvem a produção da terapia betainterferona 1a, também utilizada no tratamento da esclerose múltipla, além de um medicamento destinado ao tratamento da esquistossomose em crianças.

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