Lucão e Zack Magiezi
Esta semana, no dia 20 de outubro, foi comemorado o dia Nacional da Poeta. A data, ainda que não haja uma lei que faça com que ela seja oficial, foi escolhida quando, em 1976 em São Paulo, surgiu o ‘Movimento Poético Nacional’ na casa do então jornalista, romancista, advogado e pintor brasileiro Paulo Menotti Del Picchia.
Com o surgimento e crescimento das redes sociais, muitos poetas começaram a surgir e projetar seus trabalhos entre seus seguidores. O escritor mineiro, que hoje mora em São Paulo, Zack Magiezi,
(@zackmagiezi)
, por exemplo, já soma um milhão de seguidores no Instagram.
Outro com grandes números nas redes é o goiano Lucas Brandão, ou simplesmente, o ‘Lucão escritor’
(@lucaoescritor)
, também mora em São Paulo, já soma mais de 500 mil seguidores e hoje até ministra cursos de escrita e leitura. Aos 37 anos, ele já tem 20 anos de carreira (começou a escrever ainda na adolescência, aos 17).
Para Magiezi, a relação com as redes sociais na divulgação foi essencial por que criou um canal direto com o leitor. “Os textos já chegam direto para ele. O primeiro movimento é a identificação com o que leu, depois ele divulga pois os textos deram voz ao que ele sempre quis dizer. Depois disso ele compartilha com outras pessoas”.
Já para Lucão, as redes foram um impulso para sua escrita e foi de onde surgiu o primeiro convite para a publicação de seu primeiro livro através da editora Saraiva. “A rede deu alcance ao que eu faço, mas nunca foi um lugar de ficar, mas de passar. É uma ferramenta importante para o meu trabalho de escritor. Mas é só uma ferramenta. Meu trabalho acontece fora das redes, em vários lugares”.
“Os textos já chegam direto para ele [o leitor]. O primeiro movimento é a identificação com o que leu, depois ele divulga pois os textos deram voz ao que ele sempre quis dizer." (Zack Magiezi)
Um dos primeiros livros lidos por Zack Magiezi
AS PRIMEIRAS LEITURAS
Zack conta que uma de suas primeiras leituras foi o livro ‘As aventuras de Gulliver’. “Era o meu livro favorito, andava com ele para cima e para baixo. Quando comia brócolis eu brincava que era um gigante comendo árvores. Eu achava fantástica a história de alguém ser um gigante”.
Lucão foi influenciado pela família, principalmente pela mãe, para ter o hábito de ler. Meu primeiro livro, que li espontaneamente, foi retirado da estante de livros que minha mãe montou em casa. Foi de lá que ‘roubei’ também muitos clássicos, como Cem Anos de Solidão e outros. Li muito em casa quando descobri o prazer de ler”.
QUERO SER ESCRITOR
De forma até bastante poética, Zack compara a relação que tem com a escrita, como se fosse a mesma que tem com o amor. “A gente nunca sabe quando começou a amar alguém, né? Parece que sempre amamos. E não teve um momento que eu falei ‘vou ser escritor’. Acho que talvez o momento decisivo tenha sido quando eu larguei meu emprego em outra área para tentar ser escritor e sobreviver somente disto”.
Com Lucão foi acontecendo aos poucos. “Quanto amis eu me interessava pela leitura da literatura, mais a vontade de escrever aumentava”. Assim que produziu suas primeiras crônicas e poesias não conseguiu mais parar. “Não me vejo não escrevendo. É como beber água, tomar banho, comer, respirar e... escrever.”
“Não me vejo não escrevendo. É como beber água, tomar banho, comer, respirar e... escrever.” (Lucão)
O QUE ESTÁ LENDO AGORA
Magiezi não abre mão de ler poesia. “Leio romances e contos, seja pelo gênero ou pelo tamanho, por ser uma história direta e precisa, mas a poesia sempre me causa um deslumbramento. Às vezes eu leio um poema de três linhas e não consigo ler mais nada por que aquilo me atingiu de uma forma muito poderosa. Por isso continuo lendo poesia todos os dias.
Lucão é fã dos romances desde que aprendeu a gostar de ler, porém passeia também pela poesia e pela crônica. Ele conta que segue o caminho dos escritores que gosta. “Por exemplo: de Rubem Alves descobri Manoel de Barros, Quintana e Adelia Prado. De Elena Ferrante roubei o gosto por Virginia Woolf e Elsa Morante. Leio muito, uma literatura diversa que me ajuda a escrever mais”.
O QUE INDICA PARA OS LEITORES
Zack indicaria por último as suas obras. Segundo ele ainda tem muita coisa boa para ler antes dos meus livros. “Indicaria Manuel de Barros. Ele exemplifica muito bem essa questão do deslumbramento de você estar em um outro tempo, um outro lugar. Ele é de longe o meu poeta favorito”.
O poeta goiano recomenda o que está consumindo no momento: “Elena Ferrante. Se pudesse duas: Adelia Prado. Se pudesse três: Virginia Woolf”. Para se inspirar, seu recurso é, advinhem? Ler. “É uma regra que mantenho e que me alimenta muito, pois a leitura vem antes da escrita. Ela sempre garante que meu próximo texto será diferente, com mais bagagem ou provocações novas. Também gosto de começar ouvindo música, clássica ou Maria Bethânia, que me transportam mais rapidamente para o instante criativo e poético. A poética é um recurso da minha escrita, seja em prosa ou verso.”
O QUE É SER POETA?
Para Zack esta é uma pergunta bastante complexa. “Eu posso falar só por mim, mas hoje em dia eu entendo como poesia e onde vou para buscá-la é no comum, no cotidiano, naquilo que se repete e nas situações que todos nós vivemos. O poeta tem que trafegar pelos temas que nos afetam, Ele não está na floresta perdido para escrever. Ele está cortando o cabelo, conversando com alguém.
Nesses momentos e eu acho que é por isso que no meu caso a poesia acaba se alastrando um pouco. Porque as pessoas se identificam com isso. Eu falo dentro de um cenário que todos conhecem”. Lucão foi bem mais sintético: “Ser poeta hoje em dia é ser do contra.”