A três-lagoense Daiane Caroline Muniz dos Santos, árbitra de futebol de 37 anos natural de Três Lagoas, foi alvo de declarações misóginas do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, na noite de sábado (21). Após a eliminação de sua equipe para o São Paulo por 2 a 1, nas quartas de final do Campeonato Paulista, o atleta declarou que a Federação Paulista de Futebol não deveria "colocar uma mulher" para apitar "um jogo desse tamanho".
Em resposta, os ministérios do Esporte e das Mulheres divulgaram neste domingo (22) uma nota conjunta classificando o episódio como "absurdo" e manifestando solidariedade à profissional .
Trajetória de sucesso
Nascida em Três Lagoas em 25 de maio de 1988, Daiane é professora de Educação Física e construiu uma carreira internacional na arbitragem. Atuou na Copa do Mundo Feminina de 2023, nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e foi indicada para o quadro da Fifa em 2025 . Começou sua trajetória na Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS) e, em 2020, tornou-se a primeira mulher a apitar uma partida do Campeonato Sul-Mato-Grossense masculino .
"Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA altamente qualificada e um homem na mesma posição jamais seria desqualificado pelo fato de ser homem. Ainda que houvesse discordância sobre sua atuação, sua competência não seria questionada por ser homem. Esse é o ponto central que precisa ser enfrentado", destacaram os ministérios na nota .
Repercussão
Familiares do jogador reagiram à atitude machista e, ainda na zona mista do estádio, Gustavo Marques pediu desculpas. A diretoria do Red Bull Bragantino e a Federação Paulista de Futebol (FPF) também condenaram as declarações.
A FPF informou que conta atualmente com 36 árbitras em seu quadro e anunciou que as declarações do jogador serão encaminhadas à Justiça Desportiva para que "providências cabíveis" sejam tomadas.
O caso repercutiu em meio a um contexto de combate ao machismo no esporte. Esta é a segunda manifestação conjunta dos ministérios em dias, após repúdio a homenagem feita por jogadores do Vasco da Gama do Acre a três atletas presos por acusação de estupro coletivo.
