O Irã anunciou oficialmente que não participará da Copa do Mundo da FIFA 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá entre 11 de junho e 19 de julho. A informação foi confirmada pelo ministro do Esporte do país, Ahmad Donyamali, à TV estatal iraniana na manhã desta quarta-feira (11).
A decisão foi motivada pela escalada do conflito no Oriente Médio, que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei durante ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro. As tensões bélicas se arrastam por 11 dias, com impactos significativos na economia global e na produção de petróleo.
"Considerando que este regime corrupto assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo", declarou o ministro à televisão estatal. "Diante das ações maliciosas que realizaram contra o Irã, eles nos impuseram duas guerras em oito ou nove meses e mataram milhares de nosso povo. Portanto, certamente não podemos ter esse tipo de presença".
Grupo e partidas afetadas
No sorteio realizado em dezembro, os iranianos foram colocados no Grupo G ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. As três partidas da equipe estavam programadas para ocorrer em solo americano — duas no estádio de Inglewood, em Los Angeles, e uma em Seattle.
O Irã já havia sido o único país ausente de uma cúpula de planejamento da FIFA com seleções participantes realizada na semana passada em Atlanta, o que aumentou as dúvidas sobre a participação iraniana em meio à escalada do conflito regional.
Reação da FIFA e posição de Trump
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, revelou que se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta semana. Segundo Infantino, Trump teria manifestado apoio à participação do Irã no torneio, afirmando que a equipe iraniana "é, naturalmente, bem-vinda para competir nos Estados Unidos".
No entanto, em entrevista ao site Politico, Trump declarou anteriormente que "realmente não se importa" se o Irã participar ou não, descrevendo o país como "muito duramente derrotado".
O Irã garantiu vaga em sua quarta Copa do Mundo consecutiva ao terminar na liderança do Grupo A na terceira fase das eliminatórias asiáticas no ano passado. Apesar da classificação, Mehdi Taj, presidente da Federação de Futebol da República Islâmica do Irã, já havia sinalizado que a intensidade dos ataques realizados por forças dos Estados Unidos e Israel não era um bom presságio para o torneio.
A FIFA ainda não se manifestou oficialmente sobre a desistência iraniana ou sobre possíveis consequências disciplinares. De acordo com regulamentos da entidade, a ausência pode resultar em multas pesadas e substituição da vaga por outra seleção asiática, possivelmente Iraque ou Emirados Árabes Unidos.
