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A IMPRENSA É LIVRE?

A reação violenta e carregada de intenções políticas ao trabalho da imprensa coloca em xeque a liberdade e o usufruto do direito de se manifestar

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31/05/21 às 08h17

No dia 23 de maio, domingo, o Brasil assistiu a mais uma das manifestações inflamadas em apoio ao governo no episódio que resultou no rechaço do jornalista da CNN Brasil, Pedro Duran, expulso sob gritos e xingamentos no meio da aglomeração formada no Leblon, Rio de Janeiro. Naquele dia, enquanto o presidente e sua comitiva seguiam rumo à zona sul da cidade, seguíamos juntos em direção à repressão expansiva da imprensa que garante o direito da livre manifestação.
Avançando sob sinal amarelo ao longo dos últimos três anos, a integridade do jornalista e o livre trabalho da imprensa nunca estiveram tão ameaçados como agora. De acordo com o último relatório da Federação Nacional do Jornalistas (Fenaj), em 2020 foram registrados 428 ataques direcionados à imprensa, aos veículos de comunicação, à própria Fenaj e, claro, ao jornalista, em dados que demonstram o aumento de 105% dos ataques em relação a 2019. O modus operandi desses casos também estão registrados: são ameaças generalizadas, agressões verbais e até uma ameaça direta a um profissional de imprensa, indicando a direção perigosa que a liberdade da informação de interesse público está tomando.
Já conhecemos muito bem as estradas esburacadas e as saídas perigosas de um certo período que fazem questão de apagar da nossa história, aquele que controlou violentamente a imprensa e o direito de oposição dos cidadãos, resultando na morte ou desaparecimento político - em números incertos até hoje – de 434 civis entre 1964 e 1988, período da ditadura. Apesar do silêncio que tanto nos custou e ainda os custa manter quebrado, cresce a parcela de cidadãos que, bem-intencionados, desconhecem o passado do seu país e entregam de bandeja o próprio direito de se manifestar criticamente, mesmo que para defender o autoritarismo verde-amarelo. 
Por isso, precisamos recalcular essa rota arriscada antes que a nossa liberdade seja entregue aos destinatários perigosos da vez, interessados em desacreditar a imprensa profissional e romper com a democracia. Precisamos refletir sobre as consequências do que alguns de nós defende cegamente e questionar a quem interessa expulsar o jornalista da comitiva de motoqueiros ou, muito em breve, reaver o direito de se manifestar vai ser duro e brutal para o povo outra vez.

* Rodrigo de Freitas, estudante do 5º período do curso de Jornalismo e  estagiário do Grupo Agitta de Comunicação

 

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