A menstruação é um acontecimento natural, mas ainda é considerado um dos maiores inconvenientes para a mulher. Ao longo da história, para reter o fluido as mulheres criaram diversas alternativas. Do antigo Egito, antes de Cristo, aos primeiros absorventes descartáveis na Alemanha em 1890, o absorvente sempre fez parte, de alguma forma, da vida da mulher. Mas, mesmo diante de tanta tecnologia, são diversos os incômodos: alergia, mau cheiro, higienização, desconforto e falta de liberdade.
O fato é que a menstruação e os absorventes íntimos ainda são um tabu na sociedade do século XXI. Afinal, quais são os tipos de absorventes existentes no mercado e como escolher o modelo ideal?
Para esclarecer a dúvida tão frequente do universo feminino, conversamos com Evelly Vitoria Azevedo de Souza - Enfermeira pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), especialista em Obstetrícia pelo Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e Pediátrica pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI) – para nos orientar sobre os diversos tipos de absorventes e como usá-los.
Hojemais - Quais são as alternativas de absorventes íntimos fora os convencionais?
Evelly Vitoria Azevedo de Souza - Além dos absorventes tradicionais e OB, existem também o coletor menstrual, que é como um copo mesmo, que fica acoplado ao colo do útero por meio de vácuo e coleta a menstruação. Existem os bio-absorventes que são feitos de tecidos absorventes, calcinha menstrual e até biquíni absorvente para esse período; além do disco menstrual, semelhante ao coletor, porém por não tem formato de funil e sim de disco, o que pode facilitar a ter relação sexual no período menstrual.
Hojemais - Como cada um é usado?
Evelly Vitoria Azevedo de Souza - O coletor e o disco são inseridos no canal vaginal com alguns cuidados e ficam ali no colo do útero recebendo esse sangue, podendo ficar por até 12h a depender do fluxo de cada pessoa, após esse período é importante descartar o sangue e higienizar com água corrente e sabão neutro para poder colocá-lo novamente. No fim do ciclo, além da higiene convencional, é importante esterilizar em água fervente e guardar em um recipiente limpo e seco próprio.
Já os absorventes de tecido e calcinhas seguem a mesma linha dos descartáveis quanto ao uso, sendo acoplados a calcinha, mas com a diferença que além de serem reutilizáveis não ficam com mal cheiro, o que geralmente é causado pelo contato do sangue com os componentes químicos dos descartáveis. Após utilizado higienizar com sabão neutro e deixar secar ao sol.
Hojemais - Quais os benefícios desses absorventes não convencionais?
Evelly Vitoria Azevedo de Souza - O primeiro e principal benefício é o autoconhecimento, pois através deles você precisa se tocar, conhecer a anatomia e formas do seu corpo e principalmente entender direitinho como é o seu fluxo, porque com os absorventes convencionais acreditamos ter um fluxo muito intenso e quando você consegue quantificar o tanto de sangue você percebe que muitas vezes é bem menos do que se esperava.
Além disso há economia, pois um coletor por exemplo custa em média R$ 60 a R$ 80, e dura de 5 a 10 anos pra mais, se colocar na ponta do lápis, compensa muito, além de contribuir com o meio ambiente por não ser algo descartável.
Hojemais - Qual o motivo de tanto tabu em absorventes ‘alternativos’?
Evelly Vitoria Azevedo de Souza - O principal motivo é que a maioria das mulheres têm receio de se tocar, conhecer seu corpo e se descobrir, e os absorventes alternativos acabam trazendo um pouco disso. Além do mais, existe uma cultura de que nosso sangue é sujo ou impuro, o que gera esses tabus e preconceitos em relação a isso.
Hojemais - Há um absorvente indicado para quem tem alergia?
Evelly Vitoria Azevedo de Souza - Os coletores e discos menstruais são feitos em sua maioria de silicone medicinal hipoalergênicos, mas é sempre importante estar atenta para uma possível hipersensibilidade. Os bio-absorventes e calcinhas menstruais geralmente são feitos de tecidos que variam entre algodão, poliéster e outros, e geralmente também são hipoalergênicos, mas por segurança vale dar uma conferida antes na composição.
Só é importante ressaltar que precisam ser higienizados de maneira correta para não causar possíveis infecções.
Os absorventes descartáveis possuem muitos químicos e geralmente, por isso, causam tantas alergias.
Hojemais - Como sei qual o melhor absorvente para mim?
Evelly Vitoria Azevedo de Souza - Só testando para realmente ter certeza. Os coletores, a depender da marca, têm tamanhos diferenciados, baixo, médio e alto fluxo, outras marcas dividem por mulheres que já tiveram filhos ou não, e idade. O disco menstrual apesar de ter um tamanho único também tem marcas que dividem por tamanhos, os bio-absorventes e calcinhas variam de acordo com o fluxo também.
O melhor absorvente é aquele que te traz conforto e liberdade!
Hojemais - Existe um absorvente ideal?
Evelly Vitoria Azevedo de Souza - O ideal é aquele que você melhor se adaptar, até mesmo se sua escolha forem os descartáveis o importante é se sentir bem consigo mesma; mas ressalto que depois que passamos a usar os ‘absorventes alternativos’ dificilmente voltamos aos convencionais, tanto pela liberdade de movimento (em especial os coletores), quanto pelo economia e autoconhecimento que eles geram. O importante é se permitir conhecer algo novo!