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Com Paulo Gustavo se vai um pouco da arte de romper estereótipos com o riso

Vivendo da arte e do humor, Paulo Gustavo sabia fazer rir como poucos e, assim, conquistou o teatro, a TV, o cinema e o coração dos brasileiros.

Rodrigo de Freitas -  - aluno do quinto período de Jornalismo da AEMS
14/05/21 às 07h48
Paulo Gustavo (Reprodução)

Em tempos onde perder milhares de vidas no Brasil, todos os dias, se tornou um verdadeiro hábito, o ato de sorrir é que fica ainda mais estranho com a morte do ator e comediante Paulo Gustavo, aos 42 anos, entre as 2.996 vítimas da Covid-19, no dia 4 de maio. Foram mais de 1900 horas que, independente da religião, colocaram fãs do país inteiro em prece pela vida do artista.

Perder o Paulo naquela terça-feira, em que a promessa era de felicidade, com a final do Big Brother Brasil 2021, trouxe à tona as mortes que esquecemos pelo caminho e fez partir dezenas de personagens com histórias que mais pareciam nossas, e que tiveram fim sem um enredo digno da maestria do ator. Assim, sem escolha, demos adeus à Dona Hermínia, ao Valdomiro Lacerda, ao Garibe, à Senhora dos Absurdos, à Bicha Bichérrima, à Mulher Feia e a todos os personagens encenados com a graça e o olhar de quem sabia que rir era um ato de resistência.

Em vida, o ator contribuiu, e muito, para a arte, com um humor que nos fazia rir dos nossos estereótipos para reduzir o preconceito a pó. Veio do teatro, onde escreveu e viveu grandes personagens como a Dona Hermínia, inspirada na sua mãe, Dona Déa. Na TV despontou como protagonista do “Vai que Cola” e arrebatou com o programa e o seu humor afiados mais de 11 milhões de telespectadores. No “220 Volts”, ainda na TV, Paulo viveu inúmeros personagens escrachados como a senhora conservadora e preconceituosa, a bicha afeminada, a piriguete, o cara mala e tantos outros tipos com quem pudemos rir juntos, inclusive a mãe mandona de Niteroi (RJ), aquela inspirada na Dona Déa, que tornou Paulo Gustavo, autor e protagonista do filme de maior arrecadação do cinema nacional, avaliado em R$ 182 milhões, no ano passado, com o “Minha Mãe é Uma Peça“

Muito além dos palcos, Paulo Gustavo demonstrava a sua grandeza como pai do Gael e do Romeu, filhos que realizou o sonho de ter ao lado de Thales Bretas, seu marido. Ajudou seus colegas de trabalho, que tentavam sobreviver da arte na pandemia e, entre outras iniciativas, doou para as Obras Sociais Irmã Dulce R$ 1,5 milhão para a construção de um centro de tratamento de câncer em São Paulo. Com a mesma grandeza, era filho e amigo de Déa, e com ela também subiu aos palcos, realizando o sonho da mãe de cantar para uma plateia imensa no Rio de Janeiro.

Partindo para uma doença que, como todos sabem, tem vacina, o ator, roteirista, diretor, apresentador, pai de gêmeos e mestre do humor, Paulo Gustavo, fica eternizado na memória e na teledramaturgia brasileira, com trabalhos que um dia, quando esse vazio se transformar em saudade, ainda nos farão rir de nós mesmos outra vez.

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