O presidente da AGMP (Associação de Guias de Montanha do Peru), Beto Pinto, confirmou no último sábado (22) que três corpos foram localizados no Nevado Artesonraju, na Cordilheira Blanca, onde desapareceu no dia 1º de junho o fotógrafo de Mato Grosso do Sul Edson Vandeira, de 36 anos, junto com os montanhistas peruanos Pretel Alonzo Homer Efraín, de 34 anos, e Picón Huerta Jesús Manuel, de 31.
A localização dos corpos foi feita por equipes locais, mas, devido à altitude extrema e às condições severas, a AGMP solicitou apoio do Ministério da Defesa e da Polícia Nacional do Peru para realizar o resgate, pedindo o uso de helicópteros e socorristas especializados.
Natural de São Paulo, Edson morou por três anos em Campo Grande (MS), onde ganhou reconhecimento por seu trabalho fotográfico com a fauna e a natureza urbana da capital.
Edson tinha quase 20 anos de trajetória no montanhismo e na fotografia de natureza. Visitou o Himalaia, cruzou os Andes, esteve nove vezes na Antártida e participou da série documental Andes Extremo (History Channel), além de ter fotos publicadas na National Geographic.
Desaparecimento e mobilização
No final de maio, Edson e os dois guias peruanos tentavam subir a face sul do Artesonraju, considerada uma das rotas mais técnicas da América Latina. Imagens de drones chegaram a captar sinais de luz que indicavam que o grupo havia alcançado o cume, a 6.025 metros, mas eles não conseguiram completar o retorno.
Equipes em campo encontraram vestígios da expedição, como barracas rasgadas, cordas e equipamentos parcialmente soterrados, sugerindo que o trio foi surpreendido por ventos extremos e possíveis avalanches.
Uma vaquinha online arrecadou mais de R$ 48 mil para ajudar nos custos das buscas e apoiar a família do fotógrafo. Apesar do esforço, as condições geográficas e climáticas levaram à suspensão temporária das buscas na última semana, até a nova descoberta dos corpos neste sábado.
