Mato Grosso do Sul gastou R$ 645,76 por habitante com segurança pública em 2024, de acordo com dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Com esse valor, o Estado ficou na 12ª posição no ranking nacional de gastos per capita, superando São Paulo e outras 14 unidades da Federação.
No comparativo nacional, os maiores gastos por habitante foram registrados no Amapá (R$ 1.355,21), Acre (R$ 1.303,50) e Roraima (R$ 1.135,83). São Paulo apareceu na penúltima colocação, com R$ 362,48 por habitante, à frente apenas do Maranhão.
Apesar do desempenho no ranking, Mato Grosso do Sul apresentou retração nos investimentos em segurança. Em valores absolutos, os gastos somaram R$ 1,87 bilhão em 2024, o que representa queda real de 18,6% em relação a 2023, quando o montante chegou a R$ 2,3 bilhões. O recuo ocorreu na contramão do cenário nacional, já que, no Brasil, as despesas com segurança pública cresceram 6,1% no mesmo período, alcançando R$ 153,2 bilhões.
A redução no Estado foi puxada principalmente pela diminuição nas chamadas “demais subfunções”, que incluem despesas administrativas e de custeio, com queda de 30,3%, passando de R$ 1,08 bilhão em 2023 para R$ 750 milhões em 2024. Os gastos específicos com policiamento também recuaram 8,2%, totalizando R$ 1,12 bilhão. Já as despesas com defesa civil não registraram investimentos no ano.
Outro dado apontado pelo anuário é a redução do peso da segurança pública no orçamento estadual. A participação da área caiu de 9% em 2023 para 7,5% em 2024. Mesmo assim, o percentual permanece superior ao de São Paulo, que destinou 4,6% do orçamento ao setor, e acima da média da União, que manteve 0,4%.
Localizado em região de fronteira com Paraguai e Bolívia, Mato Grosso do Sul enfrenta desafios relacionados ao tráfico de drogas, contrabando e crimes transfronteiriços. Em 2024, mais de 525 toneladas de drogas foram apreendidas no Estado, volume cerca de 30% maior que o registrado no ano anterior. As apreensões envolveram principalmente maconha, além de cocaína e outras substâncias ilícitas, somando milhares de ocorrências ligadas ao tráfico.
O levantamento do FBSP também aponta que, embora os estados brasileiros destinem valores elevados à segurança pública, esses investimentos nem sempre resultam em redução da violência ou da sensação de insegurança, em razão da concentração de recursos em ações repressivas, com menor foco em políticas de prevenção, ressocialização e integração social.
Com informações de Campo Grande News.
