(Foto: Acervo Pessoal)
A Escola Municipal Joaquim Marques foi palco, no último dia 8, de uma exposição de arte que emocionou alunos, professores e toda a comunidade escolar. Mas, por trás das cores vibrantes, dos traços fortes e das expressões profundas retratadas nas telas, existe uma história muito maior, a história de uma mulher que renasceu através daquilo que sempre amou: ensinar.
A professora Simone Silva, mãe da Júlia Rosa, voltou a dar aulas há apenas três meses, chamada pelo município por meio do Artigo 100. Desde 2023, ela estava afastada por conta de um período extremamente difícil: enfrentou depressão profunda após um trauma vivido pela filha, viu o próprio filho passar por um momento complicado em sua vida pessoal e ainda perdeu seu emprego sob a justificativa de que precisava de tratamento psicológico.
Mesmo fragilizada, Simone nunca deixou de lutar. Enquanto se tratava no CAPS, voltou a trabalhar como manicure, profissão que exerce há 40 anos. Mas o sonho de voltar para a sala de aula, seu lugar no mundo, seguia vivo dentro dela.
E esse sonho finalmente se tornou possível este ano. A arte reacendeu o brilho nos olhos.
De volta ao magistério, agora atuando no Joaquim Marques e no CEI Clarinda, Simone carregava insegurança, medo e dúvidas. Ainda assim, persistiu. E sua persistência floresceu de forma grandiosa na exposição realizada na última segunda-feira.
O projeto artístico desenvolvido por ela e suas colegas professoras foi inspirado no muralismo e nas cores expressivas do Fauvismo, convidando os alunos a mergulharem na construção de identidades visuais vinculadas à cultura negra.
Cada pintura trazia rostos, cores, linhas e perspectivas que revelavam sentimentos profundos: orgulho, força, sensibilidade, resistência. Era como se cada aluno, guiado pela professora, tivesse encontrado uma forma única de expressar quem é e de honrar a riqueza da negritude.
A exposição dizia, em seu texto oficial:
“Cada rosto pintado revela sentimentos. Cada linha traçada conta um caminho. Cada cor escolhida ilumina histórias de resistência, beleza e orgulho.
As produções apresentadas aqui são um convite para refletir, reconhecer e honrar a presença e a contribuição do povo negro em nossa sociedade.”
Ver seus alunos criando, se expressando e se orgulhando de suas obras reacendeu em Simone algo muito precioso: o brilho nos olhos que ela acreditava ter perdido para sempre.
Hoje, Simone não é apenas uma educadora que voltou a dar aulas. É um exemplo vivo de resiliência, de amor pela profissão e de como a arte pode ser uma ponte poderosa para reconstruir vidas.