O status de estudante de Medicina tem sido utilizado, em alguns casos, como tentativa de driblar a fiscalização na faixa de fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai . Além dos registros de universitários envolvidos com o transporte de drogas, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificou o crescimento de ocorrências relacionadas ao contrabando de canetas emagrecedoras .
Segundo o chefe da Delegacia Especializada de Fronteira da PRF , o inspetor Waldir Brasil Junior , o número de estudantes presos chamou a atenção da corporação.
"Dá até a impressão, em alguns momentos, que cursar Medicina no Paraguai é um álibi para tentar burlar a fiscalização. Não podemos generalizar, mas a quantidade de pessoas cursando Medicina que foram presas com medicamentos e entorpecentes é surpreendente", afirmou o inspetor.
De acordo com a PRF, somente em 2026 , foram registradas 16 prisões de estudantes de Medicina , sendo 12 por contrabando e quatro por tráfico de drogas .
Casos recentes reforçam preocupação
Entre as ocorrências mais recentes está a prisão de um estudante de 24 anos , realizada em 30 de junho , na BR-463 , em Ponta Porã , município localizado a 313 quilômetros de Campo Grande.
Conforme a PRF, o acadêmico conduzia um Chevrolet Classic carregado com 570 quilos de maconha . Durante a abordagem, ele tentou fugir da fiscalização e só parou depois que os policiais efetuaram três disparos contra um dos pneus do veículo.
Em depoimento, o universitário informou que aceitou transportar a droga por possuir uma dívida com um agiota.
Outro caso ocorreu na BR-267 , em Maracaju , onde uma estudante de Medicina foi flagrada transportando 134 medicamentos emagrecedores , identificados como tirzepatida .
A jovem viajava em uma Renault Master , pertencente a uma empresa de transporte de passageiros que fazia o trajeto entre Ponta Porã e Campo Grande . Durante a fiscalização, os policiais localizaram os produtos e realizaram a apreensão.
Acadêmica disse que buscava pagar a faculdade
Em depoimento, a estudante informou que cursa Medicina em Pedro Juan Caballero , no Paraguai. Ela afirmou que a mãe é responsável pelo pagamento da graduação, mas que havia atraso nas mensalidades e na rematrícula do curso.
Segundo o relato, ela receberia R$ 100 por cada caixa de medicamentos transportada. O dinheiro, conforme declarou, seria utilizado para quitar a matrícula e pagar dois meses de mensalidades em atraso.
Após a prisão, a estudante obteve liberdade provisória mediante pagamento de fiança equivalente a dois salários mínimos , no valor de R$ 3.242 .
Os casos reforçam a preocupação das autoridades com o uso da condição de estudante para tentar ocultar práticas criminosas na região de fronteira entre Brasil e Paraguai , onde a fiscalização tem identificado tanto o tráfico de drogas quanto o contrabando de medicamentos , especialmente das chamadas canetas emagrecedoras .
