AO VIVO
Saúde

Nova definição muda critérios para identificar dislexia

Especialistas defendem avaliação da leitura sem exigir comparação com testes de inteligência

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas
09/10/26 às 08h54
Nova definição muda critérios para identificar dislexia (Foto: Reprodução)

A definição de dislexia foi atualizada pela primeira vez em mais de duas décadas . Entre as principais mudanças está a retirada do teste de QI como critério para identificar a condição, enquanto a avaliação da leitura e da ortografia ao longo do tempo passa a ter maior importância.

O novo documento foi publicado em 29 de abril nos Anais da Dislexia e elaborado por pesquisadores dos Estados Unidos após consulta a mais de 15 especialistas internacionais. A definição tem caráter consultivo e busca orientar a forma como a dislexia é identificada e estudada.

A condição pode afetar a maneira como uma pessoa processa informações e provocar dificuldades para ler, escrever e pronunciar palavras . A atualização incorpora mudanças baseadas nas pesquisas realizadas desde a definição anterior, publicada em 2002.

Teste de QI deixa de ser critério

Uma das principais alterações é o fim da exigência de comparar os resultados de testes de leitura com a pontuação obtida em um teste de QI para identificar a dislexia.

Na definição anterior, era necessário que a diferença entre o desempenho em leitura e a pontuação em um teste de QI padronizado fosse de pelo menos 15 pontos . O objetivo era demonstrar que a dificuldade de leitura estava acima do que seria esperado considerando a capacidade intelectual geral da pessoa.

Esse critério, porém, poderia deixar de identificar crianças com dificuldades de leitura que não atingissem essa diferença.

Com a atualização, os especialistas defendem que o teste de QI não seja necessário para identificar a dislexia . A avaliação deve considerar o desempenho em leitura de forma independente, levando em conta também a evolução da pessoa ao longo do tempo e após receber ensino.

Definição passa a considerar mais fatores

O novo documento também amplia a descrição das possíveis origens da dislexia . A definição anterior apontava uma origem neurobiológica. Agora, além desse aspecto, são considerados fatores genéticos e ambientais .

Os pesquisadores também ampliaram o espaço destinado a estudos realizados em países onde o inglês não é o idioma principal.

Essa mudança é considerada importante porque os idiomas possuem diferentes relações entre escrita e pronúncia. No inglês, por exemplo, palavras como “cough”, “rough” e “plough” apresentam grafias semelhantes, mas pronúncias diferentes.

Por isso, os especialistas apontam que essas características precisam ser consideradas na comparação de pesquisas sobre dislexia em diferentes idiomas .

Desde 2002, aumentou a quantidade de estudos realizados em línguas como chinês, japonês, hebraico e árabe .

Identificação precoce ganha destaque

A nova definição também reforça a importância de reconhecer possíveis sinais de dislexia antes mesmo da entrada na escola .

Segundo os especialistas, dificuldades na fala ou atraso para começar a falar podem indicar a possibilidade da condição. Esses sinais, entretanto, não são suficientes para confirmar um diagnóstico de dislexia .

A identificação antecipada permite que estratégias específicas de ensino sejam adotadas antes que as dificuldades de leitura e escrita se acumulem.

A nova definição possui caráter consultivo e, portanto, não estabelece sozinha como escolas, profissionais de saúde ou governos devem identificar a dislexia. Os autores esperam, porém, que as mudanças sejam consideradas nas avaliações e no apoio oferecido às pessoas com a condição.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM SAÚDE
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
WÉSLEY MENDONÇA SRTE/SP46357
atendimento@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.