A definição de dislexia foi atualizada pela primeira vez em mais de duas décadas . Entre as principais mudanças está a retirada do teste de QI como critério para identificar a condição, enquanto a avaliação da leitura e da ortografia ao longo do tempo passa a ter maior importância.
O novo documento foi publicado em 29 de abril nos Anais da Dislexia e elaborado por pesquisadores dos Estados Unidos após consulta a mais de 15 especialistas internacionais. A definição tem caráter consultivo e busca orientar a forma como a dislexia é identificada e estudada.
A condição pode afetar a maneira como uma pessoa processa informações e provocar dificuldades para ler, escrever e pronunciar palavras . A atualização incorpora mudanças baseadas nas pesquisas realizadas desde a definição anterior, publicada em 2002.
Teste de QI deixa de ser critério
Uma das principais alterações é o fim da exigência de comparar os resultados de testes de leitura com a pontuação obtida em um teste de QI para identificar a dislexia.
Na definição anterior, era necessário que a diferença entre o desempenho em leitura e a pontuação em um teste de QI padronizado fosse de pelo menos 15 pontos . O objetivo era demonstrar que a dificuldade de leitura estava acima do que seria esperado considerando a capacidade intelectual geral da pessoa.
Esse critério, porém, poderia deixar de identificar crianças com dificuldades de leitura que não atingissem essa diferença.
Com a atualização, os especialistas defendem que o teste de QI não seja necessário para identificar a dislexia . A avaliação deve considerar o desempenho em leitura de forma independente, levando em conta também a evolução da pessoa ao longo do tempo e após receber ensino.
Definição passa a considerar mais fatores
O novo documento também amplia a descrição das possíveis origens da dislexia . A definição anterior apontava uma origem neurobiológica. Agora, além desse aspecto, são considerados fatores genéticos e ambientais .
Os pesquisadores também ampliaram o espaço destinado a estudos realizados em países onde o inglês não é o idioma principal.
Essa mudança é considerada importante porque os idiomas possuem diferentes relações entre escrita e pronúncia. No inglês, por exemplo, palavras como “cough”, “rough” e “plough” apresentam grafias semelhantes, mas pronúncias diferentes.
Por isso, os especialistas apontam que essas características precisam ser consideradas na comparação de pesquisas sobre dislexia em diferentes idiomas .
Desde 2002, aumentou a quantidade de estudos realizados em línguas como chinês, japonês, hebraico e árabe .
Identificação precoce ganha destaque
A nova definição também reforça a importância de reconhecer possíveis sinais de dislexia antes mesmo da entrada na escola .
Segundo os especialistas, dificuldades na fala ou atraso para começar a falar podem indicar a possibilidade da condição. Esses sinais, entretanto, não são suficientes para confirmar um diagnóstico de dislexia .
A identificação antecipada permite que estratégias específicas de ensino sejam adotadas antes que as dificuldades de leitura e escrita se acumulem.
A nova definição possui caráter consultivo e, portanto, não estabelece sozinha como escolas, profissionais de saúde ou governos devem identificar a dislexia. Os autores esperam, porém, que as mudanças sejam consideradas nas avaliações e no apoio oferecido às pessoas com a condição.
