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A engrenagem que mudou Três Lagoas

A VCP consolidou uma extensa base florestal, com 140 mil hectares de eucalipto plantado e outros 60 mil hectares de áreas preservadas.

Danielle Brito - Hojemais Três Lagoas
15/06/26 às 08h33
Matéria publica no Hojemais ( Acervo Pessoal)

A virada econômica de Três Lagoas ganhou um marco definitivo em 2009, quando entrou em operação a unidade da Votorantim Celulose e Papel (VCP), considerada a maior fábrica de Mato Grosso do Sul. Mais do que uma nova planta industrial, o empreendimento consolidou o município como um dos principais polos de celulose do país e redefiniu o ritmo de crescimento da região.

Com investimento de R$ 2 bilhões, a indústria iniciou suas atividades antes do prazo previsto e dentro do orçamento estabelecido, evidenciando o planejamento estratégico da companhia. A licença ambiental de operação foi oficializada em 23 de março, em ato que reuniu o então governador André Puccinelli, a prefeita Simone Tebet e o presidente da empresa, José Luciano Duarte Penido.

A planta, batizada de Projeto Horizonte, nasceu com status global: trata-se de uma das maiores unidades de celulose com linha única de produção do mundo. A capacidade instalada de 1,3 milhão de toneladas anuais de celulose de eucalipto posiciona a fábrica de forma estratégica no mercado internacional. Mais de 90% desse volume é destinado à exportação, alcançando 55 países, enquanto o restante atende à demanda interna.

Os impactos econômicos foram imediatos. A estimativa de crescimento de até 300% no Produto Interno Bruto (PIB) de Três Lagoas evidencia a dimensão da transformação. Em nível estadual, a projeção de avanço de 13,5% reforça o peso do empreendimento na economia sul-mato-grossense. Atualmente, a unidade gera cerca de dois mil empregos diretos e indiretos, além de impulsionar cadeias produtivas ligadas à prestação de serviços, comércio e logística.

Esse cenário começou a ser desenhado ainda em 2007, com o início das obras. Durante o auge da construção, aproximadamente 10 mil trabalhadores circularam pelo município, movimentando diversos setores. A instalação da indústria também foi favorecida por políticas de incentivos fiscais e pela localização estratégica da cidade, próxima à divisa com São Paulo e com acesso facilitado a rodovias e ferrovias.

Além da produção industrial, a VCP consolidou uma extensa base florestal, com 140 mil hectares de eucalipto plantado e outros 60 mil hectares de áreas preservadas. Esse patrimônio ambiental abre perspectivas futuras, incluindo o desenvolvimento do turismo ecológico na região.

Embora já estivesse em funcionamento, a inauguração oficial da unidade foi programada para ocorrer meses após o início das operações, marcando simbolicamente o começo de uma nova era para Três Lagoas — uma cidade que, impulsionada pela celulose, passou a ocupar posição de destaque no cenário econômico nacional.

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A indústria de celulose no Brasil não é apenas um pilar da economia nacional; é um ecossistema bilionário em constante expansão, com investimentos projetados em mais de R$ 100 bilhões na próxima década. O epicentro desse crescimento, o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, concentra os maiores players globais, uma vasta cadeia de fornecedores e milhares de profissionais. No entanto, este gigante carece de um elo de comunicação centralizado e estratégico que conecte seus diversos agentes e traduza sua importância para a sociedade.

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