Comportamento repetitivo e dificuldade de interação social com aparente desinteresse em se relacionar com outras pessoas, essas são algumas das características atribuídas a pessoas com autismo. Mas afinal, os cães podem também ser acometidos pela doença? – Para falar sobre o assunto, o Portal Hojemais conversou com o médico veterinário Fábio Nogueira, proprietário do Hospital Veterinário Mundo Animal e eleito em 2015 como o melhor veterinário do Brasil.
Médico veterinário Fábio Nogueira, proprietário do Hospital Veterinário Mundo Animal.
Existem cães autistas ou não?
Segundo o especialista, os estudos a respeito da temática são realizados desde 1960, entretanto não existe nenhum dado conclusivo a respeito. O que se sabe é que os cachorros podem apresentar comportamentos semelhantes ao de uma pessoa com autismo, assim como a falta de interesse por pessoas e por outros animais, dificuldade de adaptação a novas situações, comportamento repetitivo e tendência à automutilação.
Contudo, as causas do autismo entre humanos ainda não são totalmente esclarecidas, porém hoje já existe uma forte relação com fatores genéticos, diferente dos cães, onde grande parte dos comportamentos são desencadeados por fatores ambientais, podendo ser minimizados ou revertidos com a ajuda de uma equipe multidisciplinar, incluindo adestrador, comportamentalista e médico-veterinário.
Quando falamos em doenças psiquiátricas, é preciso uma investigação a fundo, considerando que uma conclusão precipitada pode colocar em risco a saúde do animal.
“Diagnosticar um pet com autismo por conta própria é altamente prejudicial para a vida do animal, isso porque muitos comportamentos são manifestados por reação ao ambiente ou ao estilo de vida do cão. Com isso, é importante que os tutores compreendam as atitudes do animal e busque orientação especializada para melhorar a convivência do pet, sendo esse sempre o melhor caminho” – explicou o veterinário.
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Ansiedade e comportamento antissocial: o que pode ser e o que fazer
Conforme citado anteriormente, falta de interesse em pessoas e animais, automutilação e comportamentos repetitivos são os principais fatores que levam as pessoas a se questionar se a pessoa ou cachorro tem autismo.
“Entre os animais, na grande maioria das vezes esses problemas são ocasionados pela falta de socialização e sociabilização, e por um manejo inadequado, com rotina pobre em estímulos, levando os tutores a pensar que o pet tenha autismo. Com isso é preciso colocar o animal em contato com outros pets, instigar as brincadeiras como correr no quintal de casa, buscar bolinha e etc.”- afirmou.
Ainda de acordo com o veterinário, a alimentação do animal também requer atenção, bem como outros problemas de saúde, que quando existentes podem causar esse comportamento mais acuado. Por isso, é importante que o tutor esteja atento à saúde do animal e ao menor sinal de mudança negativa é preciso agendar uma consulta com o veterinário.
“Além de proporcionar acompanhamento e uma alimentação balanceada, é fundamental garantir que o pet tenha uma rotina estruturada, com ambiente adaptado às suas necessidades, onde ele tenha oportunidade de escolha para praticar comportamentos naturais, como correr, e roer, por exemplo” – acrescentou.
Portanto, o diagnóstico oficial de autismo em cães NÃO existe, o que se tem são comportamentos semelhantes aos que se manifestam com doença, cujo podem ser melhorados por meio de um acompanhamento adequado com um especialista.
Já realizou o check up do seu bichinho de estimação este ano? Se ainda não, o Hospital Veterinário Mundo Animal realiza todos os exames necessários para cuidar da saúde do seu pet.
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