A marca Fibria deixou de existir, sendo completamente absorvida pela Suzano. ( Reprodução)
A consolidação entre duas das maiores companhias do setor florestal marcou um divisor de águas na economia brasileira e no mercado global de celulose. Anunciada em março de 2018, a aquisição da Fibria pela Suzano, em um acordo estimado em US$ 12 bilhões — cerca de R$ 44 bilhões à época — foi concluída em janeiro de 2019, dando origem à maior produtora de celulose de eucalipto do planeta.
A operação não apenas unificou atividades, mas também redesenhou a dinâmica do setor, colocando o Brasil em posição ainda mais estratégica no comércio internacional de celulose. A nova Suzano passou a figurar entre as maiores empresas globais de papel e celulose, com capacidade produtiva superior a 11 milhões de toneladas por ano.
Antes da fusão, a Fibria já ocupava papel de destaque no mercado. Resultado da união entre a Aracruz Celulose e a Votorantim Celulose e Papel (VCP), a companhia consolidou forte presença em Três Lagoas (MS), município que se transformou em um dos principais polos industriais do segmento, ganhando o título de “capital mundial da celulose”.
Com atuação voltada majoritariamente à exportação, especialmente para mercados da Ásia e Europa, a Fibria foi peça-chave na expansão do setor brasileiro. Sua incorporação pela Suzano ampliou esse alcance, com objetivos estratégicos bem definidos: ganho de escala, redução de custos operacionais, aumento da competitividade internacional e fortalecimento das exportações.
Os impactos econômicos da transação foram expressivos. A criação de uma gigante global impulsionou a balança comercial brasileira e consolidou o país como líder mundial na produção de celulose de eucalipto. No cenário regional, os reflexos também foram significativos, sobretudo em Três Lagoas, onde o fortalecimento do polo industrial atraiu novos investimentos, ampliou a cadeia florestal baseada no eucalipto e estimulou a geração de empregos indiretos.
Apesar dos avanços, o movimento também trouxe desafios. Especialistas e setores da sociedade levantaram preocupações quanto à concentração de mercado, além de impactos ambientais associados à expansão do cultivo de eucalipto e a questões fundiárias em determinadas regiões.
Como resultado final da operação, a marca Fibria deixou de existir, sendo completamente absorvida pela Suzano. Mais do que uma fusão empresarial, o negócio simboliza a consolidação de um modelo produtivo que posiciona o Brasil como protagonista global em um dos segmentos mais estratégicos da economia verde.