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O anúncio que mudou a história industrial de Três Lagoas

Entre cifras bilionárias e projeções ousadas, a divulgação da instalação da nova fábrica da International Paper (IP) em Três Lagoas também foi marcada por um momento íntimo e simbólico.

Danielle Brito - Hojemais Três Lagoas
15/06/26 às 07h28
Simone Tebet surpreendeu ao anunciar a confirmação de um investimento aguardado há anos ( Reprodução/Prefeitura de Três Lagoas)

Uma coletiva de imprensa na Prefeitura de Três Lagoas acabou se transformando em um dos momentos mais emblemáticos da história econômica do município. Era 2006 quando, em meio a secretários e jornalistas, a então prefeita Simone Tebet surpreendeu ao anunciar a confirmação de um investimento aguardado há anos.

O documento, enviado pela International Paper e assinado pelo presidente da empresa no Brasil, Máximo Pacheco, oficializava a decisão do Conselho de Administração: a cidade receberia uma fábrica de papel para impressão e escrita, dentro do chamado Projeto Fábrica Três Lagoas.

A notícia representava mais do que a implantação de um novo empreendimento. Tratava-se da primeira fábrica de papel a ser construída no Brasil após um intervalo de 12 anos, colocando o município no centro de uma nova fase de industrialização. O projeto previa a instalação inicial de uma ou duas máquinas, cada uma com capacidade produtiva de 200 mil toneladas por ano.

O impacto do anúncio, no entanto, ia além. O mesmo documento revelava uma reconfiguração estratégica entre gigantes do setor. Por meio de uma permuta de ativos com a Votorantim Celulose e Papel, Três Lagoas não receberia apenas uma, mas duas unidades industriais: uma fábrica de papel sob responsabilidade da International Paper e uma planta de celulose que ficaria a cargo da VCP.

O acordo envolvia a transferência de ativos relevantes, incluindo a base florestal da Chamflora Três Lagoas Agroflorestal e o projeto da unidade local, consolidando as condições necessárias para a implantação definitiva do polo industrial.

À época, a prefeita destacou o caráter histórico do anúncio, classificando-o como um divisor de águas para o município, que até então não havia recebido investimento de tamanha magnitude em seus 91 anos de existência.

Os números reforçavam a dimensão do projeto. Durante a fase de construção das unidades, a expectativa era de geração média de cinco mil empregos, podendo atingir picos de até 10 mil trabalhadores. Já na fase operacional, cerca de 800 postos de trabalho diretos seriam mantidos. Além disso, a instalação das fábricas impulsionaria a chegada de aproximadamente 20 novas indústrias, atraídas para atender à demanda da cadeia produtiva.

Outro efeito imediato seria o fortalecimento da silvicultura na região. O incentivo ao plantio de eucalipto abriria novas oportunidades de renda para produtores rurais, consolidando uma mudança significativa no perfil econômico local.

O anúncio feito naquele dia não apenas confirmou um investimento, mas marcou o início de uma transformação profunda. A partir dali, Três Lagoas deixava de ser uma promessa para se tornar, definitivamente, protagonista no cenário industrial brasileiro.

Entre cifras bilionárias e projeções ousadas, a divulgação da instalação da nova fábrica da International Paper (IP) em Três Lagoas também foi marcada por um momento íntimo e simbólico. Assim que deixou a coletiva de imprensa, a então prefeita Simone Tebet fez questão de compartilhar a conquista com o pai, o senador Ramez Tebet.

Em tratamento médico em São Paulo, Ramez recebeu a notícia com emoção. Mesmo afastado temporariamente de suas funções, afirmou que, ao retornar ao Senado, levaria à tribuna o significado daquele investimento, destacando o impacto não apenas para o município, mas para o desenvolvimento do Brasil.

Enquanto o gesto familiar evidenciava o peso político e histórico do momento, os dados apresentados pela prefeitura dimensionavam a grandiosidade do projeto.

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A indústria de celulose no Brasil não é apenas um pilar da economia nacional; é um ecossistema bilionário em constante expansão, com investimentos projetados em mais de R$ 100 bilhões na próxima década. O epicentro desse crescimento, o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, concentra os maiores players globais, uma vasta cadeia de fornecedores e milhares de profissionais. No entanto, este gigante carece de um elo de comunicação centralizado e estratégico que conecte seus diversos agentes e traduza sua importância para a sociedade.

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