Nossa matéria de capa desta semana é dedicada a uma mulher cuja trajetória emociona, inspira e, acima de tudo, transforma vidas: Mariza Oliveira da Silva.
Natural de Assis/SP, assistente social há 15 anos e presidente do Instituto Ação Social Amor e Atitude, Mariza não é apenas uma profissional dedicada — é uma mulher que carrega na própria história as marcas que hoje a tornam ainda mais sensível, forte e comprometida com o outro.
E talvez seja exatamente por isso que seu trabalho toque tão profundamente tantas vidas. Mais do que falar de um projeto, é preciso falar da mulher por trás dele.
A Casa da Mulher – IASAA, que nesta semana completou 4 anos de existência — nasceu de um dos momentos mais impactantes da vida de Mariza. Um episódio que não apenas a marcou, mas a transformou completamente.
Ela relembra:
“Tudo começou quando, diante de mim, estava uma mulher em profundo desespero. Ela chorava intensamente ao relatar que havia tirado a vida do próprio esposo para não ser morta junto com seu filho”.
Uma cena forte. Dolorosa. Impossível de esquecer. Mas o que tornou esse momento ainda mais profundo foi o reconhecimento. Mariza não apenas ouviu — ela se viu ali.
“Como mulher que também já viveu a dor da violência doméstica, senti na alma o peso daquela história”.
E foi nesse instante que nasceu algo maior que a dor: um propósito. “Até quando uma mulher precisa chegar a uma situação extrema como essa para ser ouvida”?
Essa pergunta não ficou sem resposta. Virou ação. Assim nasceu a Casa da Mulher IASAA — um espaço de acolhimento, escuta e reconstrução. Um lugar onde a dor encontra apoio antes de se transformar em tragédia.
Ao longo desses quatro anos, a caminhada foi intensa. E os desafios são reais: falta de recursos contínuos, alta demanda de atendimentos, pouco apoio institucional, barreiras culturais e sociais, além do desgaste emocional de quem acolhe histórias tão profundas todos os dias.
Mas, ainda assim, o que prevalece é o sentido. Ao ser questionada sobre o que sente hoje, Mariza responde com uma mistura de emoção e consciência:
“É gratidão por cada vida que passou por aqui, por cada mulher que encontrou forças para recomeçar, mas também carrego muita responsabilidade”.
E ela explica por quê:
“Quando uma mulher chega até nós, ela não traz só a própria dor — ela traz filhos, histórias, traumas e um pedido silencioso de socorro”.
Essa compreensão transforma o trabalho em missão. E quando perguntada se começaria tudo de novo, sua resposta vem com a firmeza de quem encontrou seu propósito: “Eu começaria tudo de novo… porque não é apenas sobre mim. É sobre vidas sendo resgatadas. A Casa da Mulher IASAA é mais do que um projeto. É uma missão”.
Quatro anos depois, o que nasceu de uma dor se tornou um ponto de recomeço para muitas outras mulheres.
Uma história que não se mede apenas em tempo, mas em vidas tocadas, em caminhos reconstruídos e em silêncios que finalmente encontraram voz.
E para todas que precisam ouvir, Mariza deixa uma mensagem que acolhe e encoraja:
“Acredite: recomeçar é possível. Não importa o quanto a dor tenha sido grande — ela não define o seu fim. Procure ajuda, fale, não se cale. Você não precisa enfrentar tudo sozinha.”
Mais do que uma líder nata e de presença, e de um carisma “sui generis”, Mariza é presença. Mais do que um nome, é símbolo de transformação.
E sua história segue — viva, necessária e profundamente humana.
