Ensinar nunca foi apenas uma profissão para Samira Gama.
Há mais de 20 anos, ela faz da educação uma missão de vida, unindo conhecimento, sensibilidade e acolhimento para transformar pessoas por meio da aprendizagem.
Bacharel em Turismo pela UFMS, pedagoga, especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional, mestre em Desenvolvimento Regional e doutoranda pela USP, Samira também é proprietária da Sami Sami Psicopedagogia, docente do Senac Três Lagoas e integrante do Projeto Verbaio, iniciativa voltada ao desenvolvimento de um aplicativo para alfabetização de crianças autistas não verbais.
Uma vocação inspirada pelo exemplo
O amor pela educação nasceu dentro de casa. Filha de professora, Samira encontrou na mãe, dona Dalva Barbosa, sua maior referência.
"Minha mãe foi a maior influenciadora. Ela realizava tudo com muita criatividade e afeto. Fazia coisas fantásticas em sala de aula para atingir o aluno que precisava".
A primeira experiência em sala de aula aconteceu aos 16 anos, como monitora de uma turma da APAE. Mais tarde, após a formação em Turismo, descobriu que seu verdadeiro caminho estava na Pedagogia. Em 2006, iniciou a carreira docente no ensino superior e nunca mais deixou de ensinar.
Educar também é acolher
Para Samira, educação vai muito além da transmissão de conteúdos. É uma ferramenta capaz de ampliar horizontes, despertar consciência e transformar vidas.
"A educação me trouxe mais para a realidade, me possibilitou letramento em diversos assuntos e me levou a lugares que jamais pensei alcançar". Ao mesmo tempo, reconhece os desafios da profissão. "A educação ainda não chega para todos e a desvalorização da profissão continua sendo uma realidade".
Transformando vidas
Grande parte de sua atuação é dedicada às crianças atípicas e suas famílias. Neurodivergente e irmã de um homem autista, Samira conhece de perto essa realidade e faz dela uma motivação diária.
"Quero ser para meus aprendentes e suas famílias um ponto de apoio, de conhecimento e acolhimento". Para ela, cada avanço representa uma conquista compartilhada. "Se cada vida que eu entrar significar algo, meu trabalho valeu a pena".
A arte como refúgio
Se não tivesse escolhido a educação, acredita que seguiria o caminho das artes. Cresceu cercada por música, poesia e pintura, influências deixadas principalmente pela mãe, dona Dalva. Até hoje, faz aulas de canto e acredita que a arte é uma forma de cuidar da alma.
Uma mensagem para viver o presente
Ao final da entrevista, Samira deixa uma reflexão simples e poderosa:
"Cuide da saúde mental, física e espiritual. Se alimente daquilo que te traz calma e bem. Aproveite cada segundo do amor das companhias que a vida lhe trouxe. Mas, em hipótese alguma, se esqueça: a vida é agora".
Legados que permanecem
Ao ouvir Samira falar sobre educação, criatividade, afeto e cuidado com as pessoas, torna-se impossível não perceber a força das raízes que moldaram sua história. Entre elas está sua mãe, Dalva, lembrada com carinho como a grande referência de sua vida e de sua caminhada profissional.
Sua partida, em março de 2025, deixou uma saudade impossível de medir. Mas algumas pessoas nunca deixam verdadeiramente este mundo. Permanecem vivas nos valores que ensinaram, nas histórias que inspiraram e no amor que semearam.
Em cada gesto de acolhimento, em cada criança que encontra novas possibilidades de aprender e em cada vida transformada pela educação, um pouco desse legado continua florescendo. Talvez seja essa a forma mais bonita de eternidade.
