No último sábado, 18 de abril, o Vila Romana Hotel foi palco de mais uma edição do consagrado Amado Moura Classic, reunindo atletas de diferentes categorias em uma celebração de força, disciplina e superação.
Mas este ano teve um significado ainda mais especial – pela primeira vez, o evento aconteceu sem a presença física do mestre Amado Moura — referência mundial no fisiculturismo e inspiração para gerações, o que trouxe ao ambiente uma atmosfera carregada de emoção, respeito e saudade. Ainda assim, seu legado se fez presente em cada atleta que subiu ao palco, em cada pose e em cada aplauso.
Entre físicos impressionantes e performances de alto nível, uma história em especial tocou profundamente o público e marcou esta edição.
Gil Physique: quando a superação se torna vitória
Uma grande história que me chamou atenção foi a do atleta Gilberto Antonio da Silva Filho, de 29 anos, Técnico Florestal e atleta há apenas três anos — sendo apenas dois meses de preparação específica para o fisiculturismo. Sim, dois meses! E foi o suficiente para conquistar o topo.
Gil sagrou-se Top 1 Mens Physique acima de 1,75m e ainda levou o título de Campeão Overall Mens Physique , surpreendendo não apenas o público, mas a si mesmo.
Mas o que torna essa conquista ainda mais extraordinária é a história que vem por trás.
Em junho de 2024, Gil sofreu um grave acidente de trabalho. Durante o corte de árvores, foi atingido diretamente por uma queda, que resultou na fratura imediata do fêmur.
O impacto foi tão forte que ele chegou a desmaiar — e, por centímetros, sua vida poderia ter sido interrompida ali. Vieram então os dias difíceis – cirurgia, dor, quatro meses acamado… e um inimigo silencioso: a depressão.
“Eu pensava que não queria viver todo dia”, relembra.
A rotina de um homem ativo, que praticava rugby e vivia em movimento, deu lugar à imobilidade, à incerteza e ao medo. Mas foi justamente no momento mais delicado que surgiu a virada.
O primeiro passo, literalmente.
“A felicidade começou a vir quando consegui dar o primeiro passo. Foi onde vi que tinha esperança.”
A recuperação veio com fisioterapia, apoio familiar e, principalmente, com o retorno à academia — que, segundo ele, foi essencial para resgatar não apenas o corpo, mas também a mente.
Foi nesse processo que o fisiculturismo entrou em sua vida - incentivado por amigos e pelo coach Hugo Ito, Gil decidiu encarar o desafio mesmo sem acreditar totalmente em si. Mas acreditaram por ele. E ele respondeu com disciplina, entrega e coragem.
“Quando subi no palco, estava realmente muito feliz e emocionado… eu entreguei o que se esperava de um campeão.”
E entregou mesmo! Hoje, Gil não carrega apenas troféus — carrega uma mensagem poderosa:
“Se você tem um sonho, vai pra cima que você vai conseguir.”
