A linha Chevrolet Montana 2026 chega ao mercado brasileiro em um momento de consolidação do segmento de picapes compactas-médias, que passou a ocupar um espaço relevante entre consumidores que buscam versatilidade sem migrar para modelos maiores. Ao longo dos últimos anos, a Montana deixou de ser apenas uma alternativa funcional para assumir papel estratégico dentro do portfólio da marca, competindo com Fiat Toro, Ram Rampage e Renault Oroch em volume e posicionamento.
Em 2025, a linha Chevrolet Montana alcançou a terceira posição entre as picapes compactas-médias mais emplacadas do país, com 20,4 mil unidades. O volume a posicionou atrás da líder Fiat Toro, com 52,1 mil unidades, e da Ram Rampage, com 26,1 mil, mantendo vantagem confortável sobre a Renault Oroch, quarta colocada com 11,6 mil unidades. Esse desempenho reflete a ampliação do interesse do consumidor por veículos que conciliam cabine dupla, caçamba funcional e dirigibilidade próxima à de um SUV.
A linha Montana 2026 é composta por cinco versões — MT, LT, LTZ, Premier e RS —, com propostas bem definidas de conteúdo e uso. Todas compartilham a mesma base estrutural e o conjunto mecânico 1.2 Turbo Flex, mas se diferenciam pelo nível de tecnologia, acabamento e recursos de conveniência. A versão RS Turbo, avaliada neste teste, ocupa o topo da gama ao lado da Premier, direcionada a quem prioriza conectividade, design específico e pacote mais completo de equipamentos.
A avaliação prática da Chevrolet Montana 2026 com a versão RS Turbo aconteceu em trajetos urbanos, nas atividades do dia a dia, e também em trechos rodoviários pelo interior do estado de São Paulo, saindo da capital até a cidade de Alumínio. O percurso incluiu ainda um pequeno trecho fora de estrada, com piso irregular e baixa aderência, facilmente vencido pela picape sem necessidade de ajustes específicos de condução.
No uso urbano, a Montana apresentou comportamento previsível, com posição de dirigir elevada e boa visibilidade frontal e lateral. O conjunto formado pelo motor 1.2 Turbo Flex, agora com injeção direta e software atualizado, entrega até 141 cavalos e se mostrou adequado para deslocamentos cotidianos, com respostas progressivas e acelerações lineares. A transmissão automática contribuiu para uma condução contínua, especialmente em tráfego intenso e paradas frequentes.
Em rodovia, o conjunto mecânico manteve funcionamento estável em velocidade de cruzeiro. As retomadas ocorreram dentro da proposta do modelo, com respostas consistentes ao acelerador e boa estabilidade direcional. A suspensão absorveu irregularidades do asfalto sem comprometer o controle da carroceria, enquanto a direção apresentou assistência compatível com longos deslocamentos, reduzindo o esforço em viagens mais extensas.
O pequeno trecho fora de estrada reforçou a proposta da Montana como uma picape voltada ao uso misto. Mesmo sem tração integral, o modelo transitou com facilidade por vias de terra e trechos irregulares, beneficiado pela altura em relação ao solo, ângulos adequados e controle eletrônico de tração. Para situações pontuais fora do asfalto, o conjunto se mostrou suficiente, sem comprometer o conforto dos ocupantes.
O interior da versão RS Turbo concentra os principais diferenciais da linha. O painel de instrumentos digital de 8 polegadas e a central multimídia MyLink de 11 polegadas formam o conceito de cockpit virtual da Chevrolet, com interface direta e rápida. A câmera de ré digital de alta resolução facilitou manobras em ambientes urbanos, enquanto os bancos, o volante e os comandos apresentaram ergonomia adequada ao uso diário.
A conectividade foi um ponto constante durante o período de avaliação. O sistema MyLink com Wi-Fi nativo e integração aos serviços OnStar ampliou a sensação de controle e segurança no uso cotidiano. O serviço de Acompanhamento Seguro, que permite monitoramento temporário do trajeto, reforça a proposta de tecnologia aplicada ao dia a dia, sem exigir intervenção constante do condutor.
Um dos principais destaques da Montana 2026 está no aproveitamento de espaço. A cabine acomoda cinco ocupantes com bom espaço para pernas e cabeça, enquanto a caçamba de 874 litros demonstrou versatilidade ao transportar todos os itens necessários para a viagem até Alumínio. A caçamba Multi-Flex facilitou a organização da carga, com pontos de fixação, divisórias e acesso simplificado pela tampa traseira com alívio de peso.
Ao final da avaliação, três pontos se destacam de forma positiva na Chevrolet Montana 2026. O primeiro é o espaço, tanto interno quanto da caçamba, que atende com eficiência quem precisa transportar passageiros e carga no mesmo veículo. O segundo é o conjunto tecnológico, com foco em conectividade e segurança no uso real. O terceiro é a dirigibilidade, próxima à de um SUV, mesmo em um modelo com proposta utilitária. Como ponto passível de melhoria, a resposta do conjunto em retomadas mais exigentes poderia ser mais direta em situações específicas de rodovia.
