A linha de picapes compactas-médias no Brasil segue com alta competitividade e presença consolidada de modelos com produção nacional. Nesse cenário, a Ram Rampage mantém participação relevante e iniciou 2026 na segunda posição em emplacamentos, atrás da Fiat Toro, modelo com o qual compartilha base industrial no País, no meu querido estado de Pernambuco. O movimento reforça a estratégia de atuação da marca dentro de um segmento que cresce em volume e diversidade de propostas.
A Rampage é oferecida nas versões Big Horn, Rebel, Laramie e R/T com opções de motorização diesel e gasolina. A configuração Big Horn, avaliada, posiciona-se como porta de entrada da linha, equipada com motor 2.2 turbodiesel, tração 4x4 e transmissão automática de nove velocidades fornecida pela alemã ZF. A proposta da versão é atender consumidores que buscam uma picape para uso misto, conciliando deslocamentos urbanos, rodoviários e eventuais trajetos fora de estrada.
O segmento reúne concorrentes diretos como a própria Fiat Toro, além de Chevrolet Montana, cada uma com propostas distintas em motorização e porte. A Rampage ocupa um espaço intermediário, aproximando-se do limite de dimensões para uso frequente em centros urbanos, ao mesmo tempo em que oferece recursos voltados ao uso fora de estrada e capacidade de carga.
Na prática, utilizei a Rampage Big Horn em uma rotina que incluiu deslocamentos urbanos em São Paulo e percursos rodoviários pela região metropolitana. No ambiente urbano, a condução exigiu atenção ao porte do veículo, principalmente em manobras e vagas, o que confirma que modelos desse tamanho representam o limite para quem pretende utilizá-los com frequência na cidade.
Durante o uso diário, percorri trajetos de curta e média distância, com trânsito variado. A posição de dirigir elevada contribuiu para a leitura do entorno, enquanto os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, além da câmera de ré, auxiliaram nas manobras. O conjunto de direção e suspensão manteve comportamento consistente dentro da proposta do modelo.
No interior, a versão Big Horn oferece central multimídia Uconnect de 12,3 polegadas com conectividade sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, além de quadro de instrumentos digital de 10,3 polegadas. O sistema Ram Connect amplia as funções remotas e de monitoramento do veículo. O ar-condicionado digital de duas zonas, as seis portas USB e o carregador por indução compõem o conjunto voltado à conectividade e funcionalidade.
Os bancos com revestimento em tecido e vinil, o volante com regulagem de altura e profundidade e o apoio de braço central contribuem para o uso prolongado. A presença de saídas de ar para os ocupantes traseiros e o espaço interno atendem à proposta de uso familiar e profissional.
Nos deslocamentos rodoviários, percorri trechos pela região metropolitana, mantendo velocidades constantes e observando o comportamento do conjunto mecânico. A condução se manteve linear, com trocas de marcha dentro da proposta do modelo.
A autonomia proporcionada pela motorização diesel permitiu realizar os trajetos sem necessidade de reabastecimento, o que amplia o alcance em viagens. Esse fator reduz a frequência de paradas e facilita o planejamento de deslocamentos mais longos. Durante esse uso, um aspecto que se destaca é o bom som característico do motor diesel, perceptível na condução e presente ao longo do percurso.
Em relação à capacidade fora de estrada, a Rampage conta com tração 4x4 com modos de operação e reduzida, além de recursos como controle de descida (Hill Descent Control), assistente de partida em aclive e pneus fornecidos pela Pirelli. A estrutura da carroceria, o protetor de cárter e os pontos de amarração na caçamba complementam o conjunto voltado à utilização em diferentes tipos de terreno.
A caçamba possui revestimento interno, iluminação em LED e pontos de fixação de carga, além de tampa traseira com abertura amortecida. Esses elementos contribuem para o transporte de diferentes tipos de carga, mantendo a proposta de versatilidade da picape.
No campo da segurança, a Rampage Big Horn oferece seis airbags, controle eletrônico de estabilidade, frenagem de emergência, monitoramento de pressão dos pneus e sistemas de assistência como controle de cruzeiro e assistente de permanência em faixa. O conjunto atua de forma integrada durante a condução, ampliando o suporte ao motorista.
Ao final da avaliação, três pontos positivos se destacaram: a autonomia proporcionada pelo motor diesel, a versatilidade de uso entre cidade e estrada e o conjunto de tecnologia embarcada. Como ponto a ser melhorado, o porte do veículo pode limitar a utilização em ambientes urbanos com espaço reduzido, exigindo adaptação do condutor em manobras e estacionamento.
