A trajetória do atual Mercedes-Benz GLE começou em 1997, quando a então Classe M participou da consolidação do segmento de SUVs premium. Desde então, cerca de quatro milhões de unidades foram produzidas na fábrica da Mercedes-Benz em Tuscaloosa, nos Estados Unidos. Hoje, o GLE é oferecido no Brasil nas carrocerias SUV e Coupé equipadas com motorização diesel eletrificada.
A configuração disponível no País reúne motor de seis cilindros em linha, sistema híbrido leve de 48 volts e Gerador de Partida Integrado. A proposta contempla eletrificação parcial, tração integral permanente e pacote amplo de tecnologia embarcada. A carroceria Coupé, que tive a oportunidade de avaliar, adiciona pacote AMG de design externo e interno como item de série.
No cenário competitivo, o GLE Coupé disputa espaço com BMW X6, Audi Q8 e Porsche Cayenne. Cada modelo adota estratégia própria no segmento, seja com foco maior em desempenho, tecnologia ou dinâmica de condução. O GLE Coupé 450 d 4MATIC se posiciona como alternativa que combina motorização diesel de alto torque, eletrificação leve e conjunto abrangente de assistência à condução.
A avaliação do GLE Coupé teve início em deslocamentos urbanos na cidade de São Paulo. Mesmo com 4.941 mm de comprimento e 2.157 mm de largura com retrovisores, o modelo se mostrou compatível com o uso cotidiano. A direção assistida, o pacote de estacionamento com câmera 360° e o assistente PARKTRONIC contribuíram para manobras em vagas paralelas e perpendiculares.
O conjunto mecânico entrega 367 cavalos e 750 Nm de torque, associado ao câmbio automático 9G-TRONIC e à tração integral 4MATIC. O sistema híbrido leve de 48V auxilia em acelerações, recuperações de energia e na função start/stop. A aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em 5,6 segundos, com velocidade máxima limitada a 250 km/h.
Em deslocamentos rodoviários pelo interior do estado de São Paulo, saindo da capital e passando por Atibaia, Itatiba, Campinas até Mogi Guaçu, observei o comportamento em longos trechos de cruzeiro. O torque disponível em rotações mais baixas favoreceu retomadas e ultrapassagens. O Assistente Ativo de Distância DISTRONIC e o Assistente Ativo de Direção atuaram na manutenção da distância e no posicionamento em faixa.
Também realizei uma viagem ao Litoral Sul paulista. Em trechos de serra, os sistemas eletrônicos trabalharam de forma integrada ao controle de estabilidade e à tração integral. O head-up display projetou informações no campo de visão, reduzindo a necessidade de deslocamento do olhar.
Para avaliar a capacidade fora de estrada, subi o trecho da Pedra Grande, em Atibaia. Com o modo off-road ativado, o sistema exibiu a função de capô transparente na tela central, permitindo visualizar virtualmente a área sob a dianteira do veículo por meio das câmeras 360°. A tração integral variável e a calibração da transmissão permitiram avançar por trechos de inclinação e piso irregular até o topo.
No interior, a carroceria Coupé reúne duas telas de 12,3 polegadas integradas ao Widescreen Cockpit. O sistema MBUX pode ser operado por toque, comandos no volante com sensores táteis ou ativação por voz com o comando “Hey Mercedes”. O sistema de navegação com realidade aumentada projeta setas e indicações sobre a imagem da via. A integração com Apple CarPlay e Android Auto ocorre sem fio, e há carregamento por indução para smartphones.
O sistema de som Burmester® Surround Sound conta com 13 alto-falantes e 590 watts de potência, além de compatibilidade com Dolby Atmos. O ar-condicionado THERMOTRONIC de quatro zonas permite ajustes individuais para motorista e passageiros. A iluminação ambiente oferece 64 opções de cores. Os bancos dianteiros em couro possuem ajustes elétricos, memória e suporte lombar, e o teto solar panorâmico integra os equipamentos de série.
O pacote de assistência inclui Assistente Ativo de Frenagem, Assistente Ativo de Manutenção de Faixa, Assistente Ativo de Ponto Cego, suporte para manobras evasivas e proteção de pedestres. O modelo também dispõe de sistema KEYLESS-GO, alarme URBAN GUARD e engate de reboque com acionamento elétrico, com capacidade de até 3,5 toneladas.
Ao final da avaliação, três pontos positivos se destacam: o conjunto mecânico diesel associado ao sistema híbrido leve de 48V, que entrega torque elevado com eficiência; o nível de tecnologia embarcada, com destaque para o MBUX e os sistemas de assistência; e a versatilidade demonstrada em uso urbano, rodoviário e fora de estrada. Como ponto que pode ser melhorado (contém ironia a seguir...), o preço inicial a partir de R$ 860 mil posiciona o modelo em um patamar restrito a um público específico dentro do mercado nacional.
