A amamentação deveria ser obrigatória e exclusiva nos primeiros seis meses do bebê, mantida pelo menos até o segundo ano de vida e estimulada até o sétimo ano da criança, quando aparecem os primeiros dentes definitivos, tornando-a apta para triturar qualquer tipo de alimento. É o que afirma o pediatra Renato Alves, de Araçatuba, que ressalta: “isso desde que haja prazer da mãe e da criança neste ato”.
De acordo com o profissional, a campanha Agosto Dourado veio para incentivar a amamentação, processo essencial para a saúde do bebê. “(A amamentação) é fundamental para o crescimento e desenvolvimento da criança, fortalece o vínculo mãe e filho, sendo seguramente um ato de amor”, define.
O aleitamento materno fortalece o emocional da criança e o sistema imunitário (anticorpos). “Crianças amamentadas nos primeiros seis meses têm maiores índices de inteligência, maiores chances de serem adultos mais seguros e é a melhor forma de nutrição infantil. Diminui os riscos de infecções gastrointestinais, infecções respiratórias e alergias, reduzindo sobremaneira a mortalidade infantil”, enumera Alves.
Para o pediatra, as mães devem ser apoiadas e estimuladas a amamentar pelo maior período possível, pois a criança não amamentada até o segundo ano de vida tem duas vezes mais chances de morrer devido a doenças infecciosas. “No longo prazo, a amamentação previne a obesidade, melhora a capacidade cognitiva, interfere no QI (Quociente de Inteligência), na escolaridade e até na renda quando adulto. Também protege as mães contra os cânceres de ovário e de mama e facilita a superação da depressão pós-parto, que é comum acontecer”, afirma o médico.
Meio termo
No entanto, Alves lembra que é preciso sempre procurar um meio termo entre a saúde do bebê e o bem-estar físico e emocional da mãe, a qual está inserida no mercado de trabalho com obrigações profissionais claras. “As mulheres que não conseguiram amamentar não devem se sentir culpadas. A amamentação é maravilhosa, deve sempre ser estimulada, mas é um direito da mulher, não uma obrigação.”
Não há idade correta para o desmame. O ato deve ocorrer até quando mãe e criança acharem que estão prontos para parar. As decisões devem ser individuais.
Guia
A posição de Renato Alves vai ao encontro das orientações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), de que não há limite máximo estabelecido para o término da amamentação. “Avolumam-se as evidências científicas sobre o impacto positivo do aleitamento materno prolongado na saúde da criança e da mulher que amamenta”, destaca o guia prático da entidade sobre “Aleitamento materno continuado versus desmame”, publicado em 2017 e elaborado pelo Departamento Científico de Aleitamento Materno.
O documento cita diversas evidências científicas que embasam a recomendação da prática para a prevenção da mortalidade e morbidade por doença infecciosa, além dos benefícios para os desenvolvimentos orofacial e cognitivo, a saúde materna, o controle do sobrepeso/obesidade e, até mesmo, para o fator econômico.
“O papel protetor da amamentação contra mortes de crianças menores de 5 anos já está bem documentado, tanto para países de média e baixa renda, como para os de alta renda.
Apoio
A recomendação da SBP é que pediatras apoiem as mulheres e suas famílias para que o aleitamento materno seja bem-sucedido, se esse for o desejo, e que não prescrevam, desnecessariamente, fórmulas infantis nas maternidades; não recomendem, desnecessariamente, a introdução dos alimentos complementares antes dos seis meses de idade da criança; e não recomendem ou sugiram o desmame enquanto a dupla mãe/bebê não estiver pronta.