“Nossa! Ele vai mamar até quantos anos?”. “Ela não cabe mais no seu colo”. “O seu leite é fraco, não está sustentando”. “Precisa dar fórmula, pois está passando fome”. “Está fazendo seu peito de chupeta”.
Essas são algumas das frases que as mães que optam pela amamentação prolongada escutam com frequência. No entanto, as mulheres que fazem essa escolha garantem que não se incomodam com os comentários e seguem firme na decisão. Amamentação até qual idade? “Até a hora que ele (a) quiser”, respondem para a reportagem sem titubear.
A engenheira ambiental Flávia Lenise Vendrame, de 28 anos, de Piacatu, conta que a amamentação era a parte que mais temia desde a gravidez, pois sempre escutou que era dolorido, que sangrava, etc.
“Eu tinha muito medo de passar por isso e, infelizmente, eu tive muitos problemas. Até os dois meses de idade eu acredito que minha filha passou um pouquinho de fome, porque a amamentação não é instintiva, é um aprendizado. A mãe tem que querer e tem que buscar ajuda com quem entende”, conta Flávia.
Nos primeiros dias de amamentação de Júlia, hoje com 2 anos e 2 meses de idade, Flávia diz que sofreu. Os seios sangravam e ela chorava para amamentar, enquanto a bebê chorava de fome. “Mesmo assim, no meu interior eu pensava que eu seria capaz”, lembra.
Houve resistência também dentro da família, com comparativos com outras mães que davam complemento para seus filhos.
Flávia relutou e procurou ajuda. Fez sessões com laser para cicatrização dos mamilos e uma especialista em amamentação a ajudou com a pega correta. “Foram dois meses muito difíceis.”
Passado esse período, a amamentação passou a fluir, com perfeita harmonia entre mãe e filha. “Quando eu consegui, decidi que iria continuar a amamentar o tempo que ela quisesse, até porque os benefícios são inúmeros”, conta Flávia.
No momento, Flávia não está trabalhando fora e a amamentação é em livre demanda, ou seja, a hora que a filha quer. “Percebo que o peito não é apenas pelo leite, acho que o peito dá mais segurança, é afeto. Às vezes ela me chama e pede: “mamãe, quero um chameguinho”. Então, ela quer é o aconchego entre eu e ela, e esse é um momento só nosso.” Júlia não aceita outro tipo de leite, só o materno.
Para Flávia, além da saúde proporcionada pelo leite materno, a amamentação prolongada pode fazer diferença no comportamento da criança. “Sinto minha filha mais esperta, mais ativa e mais segura. Ela é desenvolvida e desinibida quando comparada com outras crianças da mesma idade e que não foram amamentadas ou que mamaram por um curto período”, analisa.