Cotidiano

Aterro de inertes de Birigui funciona sem critérios e sem licença, afirma Cetesb

Descartes de materiais em área não licenciada e com vestígios de queima foram algumas das irregularidades encontradas, que geraram multa ao município

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
28/02/23 às 22h50
Local funciona todos os dias, das 7h às 18h (Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

Além de problemas com o aterro sanitário, alvo de denúncia e fiscalização no início do mês de fevereiro, a Prefeitura de Birigui (SP) está operando o aterro de inertes sem critérios e sem as devidas licenças ambientais. No local são depositados entulhos, resíduos da construção civil, restos de podas e volumosos, como móveis inservíveis.

Segundo a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), “a área é utilizada sem critério técnico, com disposição de resíduos diversos, em local não licenciado e com vestígios de queima”. A situação gerou três multas à Prefeitura, aplicadas pela agência ambiental de Araçatuba. Duas das multas foram em 2017, na gestão do ex-prefeito Cristiano Salmeirão (Solidariedade), e a terceira em julho do ano passado.

“A Cetesb continuará a fiscalização, com vistorias no local, e pode aplicar (novas multas), caso sejam constatadas irregularidades ambientais, novas penalidades”, informou.

O aterro de inertes fica na estrada municipal BGI-020, no bairro da Estiva, em frente à ETE (Estação de Tratamento de Esgoto). A reportagem esteve no local e constatou que as operações ocorrem normalmente.

Licenças

Conforme cadastro na Cetesb, a primeira licença prévia para o local foi emitida em setembro de 2016 e a licença de instalação em novembro do mesmo ano. A licença de operação só saiu em julho de 2017, após a autuação citada pelo órgão. Conforme apuração da reportagem, o pedido de licença foi feito pela gestão do ex-prefeito Pedro Bernabé, porém o projeto ficou parado aguardando adequações, que foram feitas de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que regulamentou o mercado.

A licença de operação tem validade por cinco anos, tendo expirado em julho do ano passado, quando a Prefeitura novamente foi multada. O novo pedido de licença de operação foi registrado em setembro do ano passado e o de licença prévia em setembro. No entanto, ambas as situações estão “em análise”.

Documento no site da Cetesb mostra a situação do local (Imagem: reprodução)
Documento no site da Cetesb mostra os pedidos de licença (Imagem: reprodução)

Não sabia

Questionada, a Prefeitura informou que desde o início da atual gestão acreditava que toda a área que era utilizada e que continua sendo utilizada, tanto pela gestão anterior quanto pela atual, era licenciada em sua totalidade. “No ato da renovação da licença, foi constatado que toda a área onde ocorre o descarte, de fato não estava licenciada. Portanto, agora estamos em busca da regularização total do espaço”, disse ao Hojemais Araçatuba.

Sobre a queima no local, a administração afirma que ocorre de forma contrária às normas do município e, sempre que ocorre o ato ilegal, o Corpo de Bombeiros é imediatamente acionado.

A Prefeitura explicou ainda que a regulamentação que o município possui é apenas para descarte de resíduos da construção civil no local, serviço feito por empresas de caçambas, e que é feita fiscalização.

No entanto, afirmou que não há nenhum outro ponto para descarte de materiais inservíveis. “A Prefeitura busca parceria para criar novos espaços”, disse sobre projeto de ecopontos.

Embora a Prefeitura tenha informado que o local é destinado apenas para resíduos da construção civil, imagem mostra outros materiais descartados no local (Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

Usina de reciclagem

Uma área atrás do aterro de inertes possui licenças prévia e de instalação, emitidas em outubro de 2019 e agosto de 2021, respectivamente. O espaço, no entanto, é para tratamento e disposição de resíduos não-perigosos, a chamada usina de reciclagem de resíduos da construção civil, e ainda necessita da licença de operação.

Conforme projeto iniciado na gestão anterior, essas sobras de materiais seriam recicladas para utilização em estradas rurais, reduzindo a necessidade de manutenção anual e proporcionando economia para o município. O serviço é equiparado ao programa Melhor Caminho, do governo estadual.

Questionada sobre o andamento desse projeto, a Prefeitura informou que tem conhecimento, mas devido ao alto custo de instalação, está em busca de parceiros para a implementação.

Aterro sanitário

Recentemente, o Hojemais Araçatuba noticiou a vistoria da Cetesb no aterro sanitário, onde foram constatadas más condições operacionais do empreendimento, com disposição inadequada e presença de resíduos sem cobertura. O órgão ainda avaliaria as sanções cabíveis para o caso, como aplicação de multas. 

A vistoria foi realizada após o órgão ser contatado por vereadores, que estiveram no aterro e encontraram montanhas de sacos de lixo dispostos a céu aberto e a presença de urubus.

O espaço, localizado na rodovia Roberto Rollemberg, km 31,5, bairro Casa de Tábua, também está com a licença de operação vencida desde junho do ano passado. O pedido de renovação foi registrado em novembro e encontra-se em análise pelo órgão.

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