O budismo chegou ao Brasil junto com os primeiros imigrantes japoneses, há 111 anos. No mesmo ano, com diferença de poucos meses, o município de Araçatuba era fundado. Na cidade, os primeiros japoneses chegaram em 1917, trazendo, além da cultura e força de trabalho, o budismo, também difundido por imigrantes estabelecidos em Promissão e Bilac.
Coincidências à parte, segundo o último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado em 2010, Araçatuba ocupava a 19ª colocação no ranking estadual no número de budistas. Naquela época, a pesquisa computou 1.046 pessoas adeptas à religião da Ásia.
Está à frente, por exemplo, de São José do Rio Preto, Bauru e Presidente Prudente, que são cidades maiores que Araçatuba.
Mas não para por aí. No mesmo estudo, o município ficou em 33º lugar no número de budistas em todo País. Neste final de semana, a região ainda ganha destaca com a vinda da monja Coen Rôshi, da tradição zen-budista, em evento pela 6ª edição do Flibi (Festival de Literatura de Birigui). O encontro será neste sábado (19), às 19h30, no Sesc Birigui, e é aberto ao público.
Em Araçatuba, os dois templos são da ordem Shin, ou Budismo da Terra Pura, em japonês, pertencente à vertente Mahayana (Grande Veículo). O templo Honpa Hongwanji da Noroeste, fica na rua Fernando Costa, no bairro Higienópolis (cuja a frente está posicionada estrategicamente para o nascer do sol), e o Nambei Honganji, na Santo Dumont, também no mesmo bairro (no entanto, disposto para o poente do sol).
Mesmo os dois sendo da escola Shin, suas matrizes são diferentes no Japão e também possuem características particulares em seus ritos.
Interesse
De acordo com o presidente da diretoria executiva do Honpa Hongwanji no biênio 2019/2020, Carlos Kasuo Mada, de Araçatuba, os brasileiros têm apresentado bastante interesse pelo budismo, no entanto a comunicação é uma barreira. Mada é membro do templo desde 1997, após se casar com uma mulher, que vem de uma família tradicional budista.
“Sempre recebemos mensagens de pessoas querendo saber sobre o budismo. Tem tido procura, mas o problema é a língua japonesa, porque as leituras são em japonês”, conta.
Nesse contexto, as leituras são dos sutras, ensinamentos que vieram de Buda (Xaquiamuni Buda) e foram transmitidos por mestres do budismo. Esses sutras são recitados, ou entoados, durantes as celebrações, e alguns são musicados. Segundo Mada, alguns desses textos já começaram a ser traduzidos para o português, no entanto, nos ritos, o idioma japonês é mantido.