Cotidiano

Cerca de mil árvores são extraídas ilegalmente em Araçatuba

Mais de 80 árvores são cortadas no município de forma irregular ao mês; podas ilegais também preocupam

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba 
21/09/19 às 11h18
Para ilustrar a matéria, escolhemos o ipê, uma árvore nativa da nossa região (Foto: Manu Zambon)

Na semana em que se comemora o Dia da Árvore, celebrado neste sábado (21), um ipê-amarelo, na avenida Joaquim Pompeu de Toledo, em Araçatuba, chamou a atenção da população e acabou viralizando na internet. Muitos paravam no local só para fotografar o espetáculo natural.

No entanto, números apontam para uma outra realidade. Aproximadamente 1.000 árvores são suprimidas por ano, de forma ilegal (sem a autorização da Prefeitura), de calçadas, canteiros, áreas verdes e quintais.

Esse número revela uma média de 83 árvores subtraídas por mês, irregularmente. Essa é a estimativa do assessor executivo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Lucas Proto, que está como responsável pela pasta desde o ano passado.

Já as podas irregulares, a estimativa mensal fica em torno de 183, ou 2.200 ao ano. No entanto, os índices podem ser ainda maiores, porque muitas não são auferidas.

Legalmente, o município suprime de 300 a 500 árvores, mas com a devida autorização da Prefeitura. Na maioria das vezes, isso acontece devido a doenças e pragas que se manifestam nas árvores por conta de espécies que não são ideais para o local, ou por espécies que sofrem com podas excessivas ou drásticas.

Déficit

Os números preocupam. De acordo com Proto, Araçatuba tinha em torno de 15% de cobertura vegetal da área urbana em 2017. Hoje o índice está em 21,5%, sendo que a recomendação da ONU (Organização das Nações Unidas) para países tropicais é de pelo menos 30%.

As regiões com maiores déficits continuam sendo o Centro de Araçatuba, e algumas ruas, como rua do Fico e Marcílio Dias, e bairros novos, como o Porto Real.

Para chegar ao nível indicado, a cidade tem que plantar 40 mil árvores, sem supressão. A administração trabalha com uma meta de 10 mil árvores plantadas ao ano, mas consegue realizar o plantio de seis mil. Até o momento, desde 2017, foram inseridas no meio urbano 17.500 novas mudas. Até o final do ano, o objetivo é alcançar 18 mil.

Plantios

Proto explica que essas novas árvores são plantadas por meio de algumas ações. Ele cita o “habite-se” (certidão que atesta que o imóvel está pronto para ser habitado), que exige o plantio de uma árvore na calçada, com canteiro apropriado.

Outro fator que ajuda são as mudas que chegam na secretaria por meio de compensações ambientais. Essas mudas são destinadas à população que tem interesse em fazer o plantio. A média de árvores doadas por semana é de dez.

Além disso, essas mudas também são utilizadas pela própria secretaria em plantios e em programas de arborização em massa, realizados em parcerias de entidades, empresas, instituições, escolas, entre outros.

Meta da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade é o plantio de 10 mil árvores por ano, porém alcançam apenas seis mil. Na foto, plantio que aconteceu na Semana da Água, neste ano, em área do córrego Bela Vista (Foto: Divulgação)

Dificuldades

No entanto, mesmo com as ações citadas pelo assessor, há ainda grandes dificuldades para se encontrar áreas adequadas ou liberadas para a arborização no município.


“Se eu resolver fazer um termo de recuperação ambiental com a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), referente a uma obra que exija a intervenção em área de preservação, não consigo porque eu não tenho áreas contínuas florestáveis que possamos firmar esse compromisso. Porque a maior parte das áreas verdes contínuas de Araçatuba têm algum tipo de compromisso firmado e não cumprido com o governo do Estado. Se eu firmo um compromisso em cima de um compromisso já firmado e não cumprido, estou abrindo a possibilidade de processos administrativos desnecessário à Prefeitura”, detalha.

Devido a essa dificuldade, a secretaria abriu cadastramento para produtores rurais do município que tenham interesse em colaborar, oferecendo anuência para o plantio de árvores em áreas de preservação de sua propriedade.

A meta é preparar o caminho para, com parcerias, plantar cerca de 200 mil árvores referentes a compensações ambientais firmadas pelo município com órgãos ambientais, como a Cetesb ao longo dos últimos 20 anos, e nunca cumpridas por ser impossibilitado de usar dinheiro público para plantios de árvores, mesmo que em medida de compensação ambiental.

Crime

Tirando a falta de locais que podem receber a arborização, a secretaria vem enfrentando outro grande problema, envolvendo crime ambiental e estelionato. O assessor conta que a secretaria recebeu denúncias de pessoas se passando por agentes da administração municipal, enganando moradores para ganhar dinheiro ilegalmente extraindo árvores sadias e destruindo árvores com podas irregulares e drásticas.

“Essas pessoas enganam a população, mostram um papel, que apresentam como documentos de autorização e cobram para extrair a árvore. Isso é um golpe, se tiver dúvidas entre em contato com a secretária. Fora aqueles que fazem podas irregulares dizendo que estão certas.”

Regulamentação

Uma das alternativas para tentar diminuir tanto as podas irregulares, quanto as extrações, é trabalhar com regulamentações. A secretaria estuda a criação de uma carteirinha cedida pela Prefeitura, atestando que a pessoa está autorizada a fazer poda particular.

Outra medida que está sendo trabalhada é na resolução do Condema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente) para responsabilizar com mais rigor quem extrai ou poda ilegalmente uma árvore.

Hoje, se a árvore subtraída for exótica, ou seja, ornamental, a medida legal de mitigação ao impacto ambiente será de dez mudas destinadas à Secretaria do Meio Ambiente, para que sejam destinadas aos programas periódicos de plantios realizados pela Prefeitura. Se for nativa, são 25; se for uma árvore ameaçada de extinção, são 50 mudas.

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