Cotidiano

Congelamento de despesas com saúde prejudica municípios

O Financiamento do SUS foi um dos temas debatidos na 8ª Conferência Municipal de Saúde de Araçatuba

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
05/04/19 às 19h57
Mariana Alves Melo falou sobre a "emenda da morte" (Foto: Aline Galcino)

O congelamento das despesas primárias pelo governo federal foi um dos temas debatidos durante a 8ª Conferência Municipal de Saúde, que aconteceu nesta sexta-feira (5), em Araçatuba (SP), com o tema Democracia e saúde e Financiamento do SUS.

O evento é a etapa municipal da 16º Conferência Nacional de Saúde, marcada para acontecer de 4 a 7 de agosto de 2019.

O período da manhã foi reservado a palestras técnicas. A primeira foi sobre “Democracia e saúde”, com Denise Fernandes Carvalho, assistente social e apoiadora do Cosems-SP (Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo).

A segunda, sobre o “Financiamento do SUS”, foi com Mariana Alves Melo, economista e mestre em saúde pública pela USP, especialista em gestão de saúde pela Unifesp e assessora técnica do Cosems-SP.

Nas explicações, Mariana mostrou a evolução das leis de financiamento da saúde pública e o efeito da EC (Emenda Constitucional) 95/2016, também chamada de “emenda da morte”. A EC instituiu novo regime fiscal e congelou gastos de despesas primárias do governo federal pelo período de 20 anos. “A população está crescendo, envelhecendo e a necessidade de saúde aumenta, com remédios e exames, mas o recurso irá reduzir”, explicou.

Para suprir essa redução, os municípios estão sendo obrigados a gastar cada vez mais com saúde, mesmo sem ter como aumentar a arrecadação.

Cortes

Segundo a secretária de Saúde de Araçatuba, Carmem Silvia Guariente, essa EC atrapalha os serviços, pois os municípios não conseguem mais ampliar os investimentos. “Araçatuba já coloca 27% de seu orçamento em saúde (quase o dobro do exigido, que é de 15%), não tem de onde tirar mais. Reduzir custos hoje significa cortar serviços (...) Como o repasse será igual, significa que não vamos dar conta de fazer nem o que já estamos fazendo, vai ficar cada vez pior, porque não vai ter dinheiro”, alerta.

Para Silvia, agora é hora de os brasileiros se manifestarem, mobilizar deputados, porque o governo só se movimenta quando há pressão. “Se não houver um movimento como foi feito na 8ª Conferência Nacional da Saúde, quando se implantou o SUS, teremos dias tenebrosos. Vamos voltar à época de quem tem saúde é quem tem dinheiro.”

"Se não houver um

movimento como foi feito

na 8ª Conferência

Nacional da Saúde,

quando se implantou o SUS,

teremos dias tenebrosos"

Secretária de Saúde de Araçatuba, Carmem Silvia Guariente (Foto: Divulgação)

Propostas

No período da tarde, os participantes debateram os temas e indicaram propostas para serem analisadas no âmbito municipal, estadual e federal. Essas indicações servirão como base para o plano plurianual dos governo federal e estadual.

“Esse é o momento de a população discutir o que ela precisa e entende como política pública de saúde”, definiu o presidente do Comus (Conselho Municipal de Saúde) de Araçatuba, Thiago Henrique Braz Mendes.

Na 7ª Conferência Municipal de Saúde de Araçatuba, ocorrida em 2017, foram indicadas e aprovadas 40 propostas. Desse total, duas foram implantadas e outras 24 estão em andamento. O prazo para trabalhar as propostas é de quatro anos, segundo a secretária de Saúde.

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