ADJ Birigui atende até 500 pessoas por mês
A OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta para a existência de 16 milhões de pessoas com diabetes no Brasil. No entanto, dados da pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostram que 77,2% dos indivíduos com diabetes tipo 2 não aderem ao tratamento no País, o que ocasiona sérias complicações.
Uma delas é a retinopatia diabética, uma das principais causas da cegueira no Brasil e que afeta cerca de 40% das pessoas com diabetes. A doença afeta os pequenos vasos da retina, região do olho responsável pela formação das imagens enviadas ao cérebro.
Segundo o oftalmologista Rogério Shinsato, de Araçatuba, o aparecimento da retinopatia diabética está relacionado principalmente ao tempo de duração do diabetes e ao descontrole da glicemia.
Quando o diabetes não está controlado, a hiperglicemia desencadeia várias alterações no organismo que, entre outros danos, levam à disfunção dos vasos da retina.
“É difícil você pegar um paciente com controle adequado da glicemia, porque as oscilações podem ocorrer até na madrugada e, no longo prazo, a pessoa paga o preço. Entre 30% a 40% dos diabéticos vão ter lesão de retina por retinopatia diabética”, afirma Shinsato.
Os sintomas da retinopatia (baixa visão) só aparecem quando ela já está avançada. A única maneira de prevenir a doença, ou pelo menos impedir sua progressão, é fazendo exame de fundo de olho anualmente, o que ajuda a detectar a lesão precoce.
Campanha
As lesões na visão provocadas pelo diabetes estão entre os assuntos abordados na campanha nacional Fique de Olho - Retinopatia Diabética, da ADJ Diabetes Brasil. Na região, a iniciativa será realizada em parceria com a ADJ Birigui, no próximo dia 1º de junho, com a presença do oftalmologista Rogério Shinsato e do endocrinologista Angelo Jacomossi, ambos de Araçatuba.
Além de sensibilizar as pessoas sobre os riscos da retinopatia diabética, a campanha também tem como objetivos específicos educar as pessoas para que mudem seus hábitos e consigam controlar as taxas de glicemia.
Serviço
O evento será na sede da ADJ Birigui, localizada na rua João Galo, 1.091. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas antecipadamente pelo telefone (18) 3642-1929. Vagas limitadas.
Controle da glicemia protege a saúde do paciente
O uso de medicamentos para reduzir os níveis de açúcar no sangue nem sempre é suficiente para proteger a saúde das pessoas diabéticas.
“Não basta reduzir a glicose, é preciso reduzi-la a um nível que garanta a saúde. O índice inadequado durante alguns anos, mesmo aqueles que não dão sintomas, causa lesões em determinados órgãos, como coração, rins, nervos e retina”, alerta o endocrinologista Angelo Jacomossi, de Araçatuba.
Num passado distante, segundo o médico, a conduta era só observar e intervir quando a glicose do paciente estivesse muito alta. “Hoje já se sabe que isso não é bom. Assim que é dado o diagnóstico, é preciso entrar com o tratamento”.
A Sociedade Brasileira de Diabetes preconiza glicemia entre 70-99 mg/dl em jejum para ser considerada uma pessoa sem o diabetes. Para pessoas idosas e com problemas cardíacos, os índices podem ser um pouco mais altos.
Entre os exames para diagnóstico e acompanhamento, o endocrinologista cita os laboratoriais (teste de glicemia e hemoglobina glicada), que determinam o tipo de tratamento ao qual o paciente será submetido, e o de ponta de dedo, para que se consiga fazer ajustes durante o tratamento.
Tipos
Jacomossi explica que há dois tipos de diabetes. O tipo 1 é aquele que se desenvolve nas fases mais precoces da vida, infância, adolescência ou vida adulta jovem. Nesse caso, assim que é feito o diagnóstico, o tratamento com insulina deve começar de imediato.
O tipo 2, que abrange 90% dos casos, está relacionado à idade: quanto mais velho, maior a chance de se desenvolver a doença. Há ainda alguns fatores de risco. Pessoas com mais de 40 anos, obesas e sedentárias são as mais propensas. Nesse tipo, a hereditariedade também influencia.
O tratamento do tipo 2 é feito com medicamentos, que são prontamente descritos, alimentação saudável e prática de atividade física.
Medicamentos
O mercado farmacêutico disponibiliza um leque de opções de medicamentos para os pacientes com diabetes. O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece insulinas e medicações orais. No entanto, há medicações mais seguras e eficientes disponíveis, que trazem mais controle e protege o organismo.
“Recentemente uma insulina melhor (versão ultrarrápida utilizada com canetas aplicadoras) foi incorporada à rede pública. Essa foi uma conquista das ADJs, que pressionaram e conseguiram. Porém é pouco perto do arsenal tecnológico que temos hoje”, afirma.
Para o médico, a rede pública está defasada em relação a novos tratamentos e medicações, o que obriga, muitas vezes, o paciente a entrar na Justiça para ter acesso.
ADJ Birigui atende até 500 pessoas por mês
A ADJ Birigui (Associação de Diabetes Juvenil da Região Noroeste Paulista) atende mensalmente entre 400 e 500 pessoas com diabetes na região noroeste.
A entidade conta com equipe multidisciplinar - endocrinologistas, nutricionista, psicóloga, enfermeira e assistente social. Em média, são 80 consultas médicas por mês.
A prioridade das consultas é para crianças e adolescentes recém-diagnosticados com diabetes tipo1 e de famílias carentes, pois os médicos são voluntários.
Segundo a enfermeira e gerente da ADJ Birigui, Cláudia Terensi Bosco, o número de pacientes, principalmente crianças, tem aumentado. “Hoje temos um bebê de três meses que faz tratamento”, cita.
O aumento é atribuído, em partes, à Lei Valentina, que obriga UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e pronto-socorros públicos e privados de Birigui a fazerem o teste de glicemia em crianças de até seis anos de idade.
Já a orientação para a pessoa com diabetes e seus familiares é feita a todos os que procuram o serviço, explica Cláudia.