Um serviço que já é uma realidade em cidades, como São Paulo e Brasília (SP), está em processo de implantação em Araçatuba (SP).
Antes mesmo da aprovação de lei federal sobre o assunto, Araçatuba tornou obrigatória, por meio de lei municipal, a prestação de assistência odontológica a pacientes internados em unidades hospitalares do município. Os cuidados com a saúde bucal e ações de prevenção, higiene e tratamento, quando necessário, também são estendidos a pacientes atendidos em regime domiciliar, na modalidade “home care”.
Conforme o projeto, aprovado em 11 de março pelos vereadores, as unidades hospitalares particulares deverão contar com cirurgião-dentista em seu quadro de pessoal, a fim de prestar os serviços de cuidado da saúde bucal dos pacientes.
“Nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), fica assegurada a presença de cirurgião-dentista como parte do corpo clínico, cabendo a ele, com exclusividade, o atendimento ao paciente ali internado”, diz o texto.
Essa determinação, segundo a justificativa do projeto, é realidade há muito tempo em vários países. No Brasil, projeto para tornar a presença do profissional obrigatória passou pela Câmara, porém está parado no Senado. Algumas cidades já se anteciparam, como Araçatuba e Santos, e legislaram a respeito do tema.
Mortes
O principal foco da proposta é eliminar a situação de risco iminente de mortes e aprimorar os cuidados prestados a quem está internado em hospitais. “A falta desse profissional em UTIs tem contribuído, e muito, para o aumento de mortes em todo o País”, diz o texto de justificativa do projeto.
De acordo com o delegado seccional do CRO-SP(Conselho Regional de Odontologia de São Paulo) em Araçatuba, o cirurgião-dentista Celso Antunes Machado, a presença do dentista em hospitais pode reduzir até o número de dias de internação de um paciente em leito de UTI.
"A boca tem a maior quantidade de flora bacteriana do corpo e quando o dentista faz o acompanhamento de um paciente, até para cirurgias eletivas, com atendimento pré e pós-cirúrgico, o risco de complicações reduz", afirma Machado, lembrando que vários problemas de saúde podem ter origem na boca, como as doenças cardíacas.
Pneumonia
No caso de pacientes que passam vários dias internados em UTI, o cuidado deve ser ainda maior. "Quando o paciente é entubado e não se analisa os problemas da boca, como higienização, cáries ou problemas periodontais, o próprio tubo leva bactérias para dentro do corpo. Por isso não é difícil ver casos de pacientes que vão para a UTI para uma cirurgia de fratura, por exemplo, e acabam morrendo de pneumonia", citou.
Essa pneumonia é chamada de nosocomial ou associada à ventilação mecânica. É uma das principais causas do aumento no tempo de internação do paciente, uso de medicamentos e até de óbito nas UTIs.
A cirurgiã-dentista Andréia Stankiewicz, que tem habilitação em odontologia hospitalar e participou da elaboração do projeto, reforça que os medicamentos utilizados no hospital alteram a salivação e a flora bucal, e isso torna as bactérias da boca mais nocivas e agressivas.