As escolas estaduais de São Paulo estão num período de transição, pois terão, a partir de 2020, uma nova matriz curricular, em consonância com a nova BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Por meio do programa Inova Educação, a Secretaria da Educação do Estado quer oferecer novas oportunidades para estudantes do ensino fundamental e médio, com atividades mais alinhadas às vocações, desejos e realidades de cada estudante.
Serão feitos ajustes de tempo de todas as aulas, com acréscimo de 15 minutos de hora/aula por dia para a inclusão de três novas disciplinas, o que exigirá contratação de mais professores. As aulas serão mais dinâmicas e práticas, a exemplo do que já ocorre nas chamadas PEIs (Programa de Ensino Integral). O que resulta em alunos mais interessados em projetos e pesquisas, como os da
escola João Arruda Brasil
, de Guararapes, que se destacam em olimpíadas, mostras e
feiras
.
A dirigente regional de ensino em Araçatuba, Fátima Regina Preti, explica que o programa Inova Educação foi construído com base em sugestões de alunos, pais, comunidades, professores e equipes gestoras.
As principais mudanças serão no tempo das aulas, que passam de 50 para 45 minutos e de seis aulas por dia, para sete – no ano, o acréscimo será de 50 horas de estudo. Serão inseridas na grade do 6º ao 9º ano do ensino fundamental aulas de projeto de vida (duas aulas por semana), eletivas (duas aulas/semana) e tecnologia (uma aula por semana). A grade do ensino médio ainda está em discussão.
“As inovações procuram garantir o desenvolvimento pleno de todos os estudantes da rede, considerando o aspecto intelectual, emocional, físico, cultura dos alunos, reduzir a evasão escolar, melhorar o engajamento dos estudantes, o clima escolar, fortalecer a ação docente, o vínculo entre professores e alunos, bem como a diminuição distorção da idade-série”, explica Fátima.
Professores
A tendência é ter mais professores na rede e oferecer melhores condições de trabalho. “Hoje o professor tem carga horária de 32 aulas semanais. No período da manhã, ele consegue, no máximo, ministrar 30 aulas por semana e precisa voltar à tarde para dar mais duas. Com a mudança, ele poderá pegar as 32 aulas semanais em um único período”, cita a dirigente.
“Isso evita que ele (professor) fique se deslocando de escola para escola. Para dar 32 aulas é preciso que tenha um grande número de salas, dependendo da disciplina. Então, ele precisa dar aulas em duas, três escolas, e se deslocar pra lá e pra cá. Se ele puder pegar mais disciplinas numa mesma unidade escolar, ele vai fortalecer o vínculo com a unidade e com os alunos e ainda vai se deslocar menos”, completa a supervisora de ensino, Sandra Cristina Ferreira Verardino.
As aulas eletivas são dinâmicas e geralmente trabalhadas por dois professores de disciplinas diferentes, o que também aumenta o vínculo entre os colegas de trabalho.
Para atender essa nova matriz curricular, os profissionais interessados estão passando por formação, por meio da Efap (Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Estado de São Paulo), que oferece cursos on-line a distância.
A Diretoria Regional de Ensino de Araçatuba, que abrange seis municípios – Araçatuba, Bento de Abreu, Guararapes, Rubiácea, Valparaíso e Santo Antônio do Aracanguá – ganhará em 2020 mais cinco escolas PEI (Programa de Ensino Integral). Hoje são cinco PEIs, sendo três em Araçatuba, uma em Valparaíso e uma em Guararapes, mais quatro ETIs (Escolas de Tempo Integral).
“Já tivemos consulta às comunidades, que são pais, alunos e professores, pois é preciso que elas queiram, e houve adesão”, explica a dirigente regional de ensino em Araçatuba, Fátima Regina Preti.
No Estado, a proposta da Educação é transformar anualmente 250 escolas regulares em ensino integral, para até 2022 ter 50% das unidades de ensino nesse programa.
Modelos
Atualmente, o Estado trabalha com as escolas regulares, as PEIs e as ETIs. A partir de 2020, o Estado começará a transformar as ETIs em PEIs, pois ambos os modelos têm a mesma finalidade.
As disciplinas de projeto de vida, eletivas e tecnologia que farão parte das escolas de ensino regular em 2020 já são ministradas nas PEIs e nas ETIs e têm dado bons resultados, contribuindo para maior autonomia dos alunos.
“As aulas de projeto de vida consideram os sonhos dos alunos, os pessoais, os acadêmicos e os sociais, e fazem com que esses estudantes tenham uma perspectiva maior. Como ele se vê como ser humano e o que ele projeta para o futuro? São esses os pontos que os professores trabalham, de modo a tornar os alunos mais conectados com as competências do século 21”, explicou Fátima.
Nas aulas eletivas são trabalhados temas diversos, como empreendedorismo, ética e cidadania, sustentabilidade, entre outros, de acordo com os projetos de vida dos estudantes. “O aluno vê a teoria e parte para a prática. Muda-se o modelo pedagógico, fortalece o professor na formação e o aluno, no sentido de acreditar em seu projeto de vida e incentivá-lo a partir para o campo da pesquisa.”