Cotidiano

Família quer que morte de mulher de 30 anos seja investigada pela polícia

Procurou atendimento no pronto-socorro municipal na quinta-feira e teria sido liberada após ser diagnosticada com suspeita de dengue; retornou no mesmo dia e no sábado foi levada para a Santa Casa, onde morreu neste domingo

Agência Trio Notícias
23/11/25 às 22h15

A mãe de uma mulher de 30 anos, que morreu entre o final da madrugada e início da manhã deste domingo (23) na Santa Casa de Araçatuba (SP), procurou a polícia no início da tarde para pedir que seja apurada a causa da morte e possível negligência médica no atendimento.

Ela contou à polícia que a filha dela procurou atendimento médico no pronto-socorro municipal na quinta-feira (21), com dores abdominais, mas foi liberada em seguida após ser diagnosticada com suspeita de dengue.

Entretanto, como as dores persistiram e se intensificaram, a paciente retornou ao pronto-socorro municipal no mesmo dia e teria permanecido até a noite de sábado, aguardando vaga para internação. A mulher relatou à polícia que a filha dela gemia de dor e, até onde ela tem conhecimento, recebia apenas soro e não teria sido submetida a exames complementares ou outras intervenções.

Morreu

Ainda de acordo com a mãe da jovem, somente na noite de sábado ocorreu a transferência da paciente para a Santa Casa de Araçatuba. Porém, ao irem ao hospital, por volta das 6h deste domingo (23), os familiares foram informados sobre a morte da jovem.

Segundo o que foi relatado, o óbito teria sido constatado enquanto ela ainda permanecia no setor de emergência do hospital, aguardando vaga para internação. 

Atendimento

No boletim de ocorrência consta que a família acredita que houve possível falha no atendimento, devido à paciente não ter passado por exames e avaliações para esclarecimento da causa das dores.

Além disso, a mãe relata que durante todo o período em que permaneceu no pronto-socorro municipal, o estado clínico da paciente se agravava, sem que houvesse, na visão da família, a atenção e assistência necessárias. 

Segundo o que foi informado à polícia, quando os familiares questionaram sobre a possível realização de exame necroscópico, a equipe de enfermagem comunicou que a médica havia atestado o óbito como decorrente de abdome agudo.

Ao procurar a polícia, a mãe da jovem informou que quer que seja realizada uma apuração rigorosa quanto à possível negligência médica no atendimento prestado e que sejam adotadas as medidas necessárias para esclarecimento completo da causa da morte, caso permaneça qualquer dúvida.

Hospital

A reportagem procurou a Santa Casa de Araçatuba, que informou que a paciente deu entrada no pronto-socorro da instituição à 1h de sábado (22), encaminhada pela Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) da Secretaria de Estado da Saúde.

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, a paciente apresentava quadro clínico agudo e grave, foi imediatamente submetida a avaliação médica, exames laboratoriais e exames de imagem, conforme os protocolos assistenciais indicados para a condição apresentada. 

“Durante o curto período de permanência no pronto-socorro, apesar da abordagem diagnóstica e terapêutica instituída, a paciente apresentou rápida piora hemodinâmica, evoluindo para óbito ainda durante a fase inicial do atendimento” , informa em nota.

De acordo com o hospital, a Declaração de Óbito foi preenchida pela médica plantonista com causa definida e sem indicação de morte suspeita, violenta ou de etiologia indeterminada, em conformidade com as normas do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina.

Informações

Ainda de acordo com o hospital, após o óbito, a médica plantonista atendeu os familiares para apresentar os exames realizados e esclarecer dúvidas sobre o atendimento da paciente. “A Santa Casa esclarece ainda que eventuais questões relacionadas ao tempo de espera em estabelecimentos de saúde de Araçatuba e região são inerentes à gestão da rede assistencial do SUS (Sistema Único de Saúde)" , informa a nota.

O hospital informa que acolhe pacientes regulados segundo critérios estaduais e atualmente opera com demanda acima da capacidade instalada, o que é amplamente conhecido pela comunidade e autoridades sanitárias. “A instituição reafirma seu compromisso com a ética e a transparência na assistência prestada aos seus pacientes, permanecendo à disposição para esclarecimentos às autoridades competentes” , finaliza a nota.

A reportagem também encaminhou e-mail com pedido de informações para a Secretaria Municipal de Saúde, mas devido ao horário, deve ter a resposta na manhã de segunda-feira (24).

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