Cotidiano

Famílias de Birigui querem volta de atendimento em berçário especial

Usuários, que têm paralisia cerebral severa, estão sem as terapias desde o início da pandemia; Prefeitura diz que não há data para retorno

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
17/08/21 às 18h35

Um grupo de mães quer a retomada do Centro de Atendimento Especial, conhecido como Berçário Especial, localizado na rua Belmonte, no Centro de Birigui (SP). A unidade era gerenciada pela Secretaria Municipal de Saúde e atendia pessoas com paralisia cerebral severa. No entanto, o serviço foi interrompido no início da pandemia e não há data para retorno. Além do atendimento, as mães pedem melhorias.

O principal problema, segundo as mães ouvidas pela reportagem, é o agravamento da saúde das “crianças”. Sem as sessões de fisioterapia que eram realizadas no berçário, os atendidos estão tendo regressão no tratamento, como o enfraquecimento de músculos e redução nas funções motoras.

Sheila Moura Rosa tem uma filha de 21 anos que frequenta o centro de atendimento há mais de 10 anos. Devido a problemas de saúde da menina, ela não ficava mais todos os dias no berçário, porém fazia sessões de fisioterapia no local e de fonoaudiologia quando o serviço ainda existia.

“Nossas crianças estão há mais de um ano dentro casa, sem nenhum atendimento. A maioria não tem condições de pagar pelo tratamento no particular, então acaba tendo um retrocesso”, disse.

Outro problema que ela relata é a impossibilidade de trabalhar. “Quando minha filha estava no berçário, eu conseguia trabalhar em casa para ajudar nas despesas. Com ela em casa, eu passo 24 horas cuidando dela, sem nenhuma possibilidade de fazer qualquer outra coisa”, desabafa.

Centro de Atendimento Especial funciona na rua Belmonte (Foto: Aline Galcino/H+Araçatuba)

Escaras

A dona de casa Ivoneide da Silva Fernandes também afirma que não está sendo nada fácil cuidar da filha de 25 anos em casa. Por conta da paralisia cerebral e microcefalia, a garota frequenta o serviço desde os 9 anos e, sem as terapias, está regredindo.

“Ela está enrijecendo os braços e os remédios que toma para dor parecem que não estão mais funcionando. Ela se bate, chora, grita”, conta Ivoneide.

A mãe também tem dificuldade em cuidar de menina, que é totalmente dependente. “Eu não tenho a cadeira especial. Eu consegui uma, mas não era adequada para ela e devolvemos. Então, ela fica deitada o dia todo e quando preciso locomovê-la, eu tenho que pegar no colo.”

Por conta da dificuldade de locomoção, a menina acabou desenvolvendo escaras na região do quadril.

Sem extra

Luzia dos Santos afirma que a filha, de 12 anos, tem sentido falta do convívio social, pois quando ouve o nome de um dos amiguinhos ou dos profissionais que a atendiam, logo esboça um sorriso.

Além do isolamento, que tem sido difícil, Luzia acredita que a filha também está enrijecendo os músculos por falta das atividades.

“Ela ia de manhã para o berçário e à tarde frequentava a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Agora só está em casa”, disse Luzia. No berçário, que frequenta desde os 5 anos de idade, a menina fazia fisioterapia.

Com a filha em casa, Luzia também se viu impedida de trabalhar para ajudar na renda da família (ela tem outros três filhos) que mantém apenas com o benefício da criança.

Melhorias

Além da retomada do atendimento, as mães querem melhorias. Há alguns anos, o serviço funcionava dentro da Apae (mantido pela Prefeitura) e tinha mais especialidades.

Até os últimos dias de funcionamento, em uma casa na rua Belmonte, o centro oferecia apenas a fisioterapia e acompanhamento anual com um neurologista.

Um dos pleitos é a fonoaudiologia no local, que seria de suma importância para os frequentadores, consultas com dentistas, como ocorriam no passado, e mais um fisioterapeuta para aumentar o número de sessões dos pacientes.

Outro problema é a não medicação. Mesmo com duas enfermeiras na casa, segundo as mães, elas não têm autorização para dar remédios para as crianças, nem com receita médica. O motivo nunca teria sido explicado.

O transporte é outro ponto que precisa de atenção, pois as crianças são levadas deitadas na parte de trás de uma perua que foi adaptada com um colchão, sem nenhuma segurança. A maioria também não tem cadeiras de rodas, que têm um custo elevado, pois precisa ser confeccionada individualmente, para atender as necessidades de cada um dos atendidos.

Veículo para transporte será adquirido por meio de emenda

Vereador intermediou reunião entre as famílias e a secretária de Saúde (Foto: Divulgação)

Os pedidos de melhorias e a situação das famílias foram levados ao vereador Wagner Mastelaro (PT), que conseguiu uma emenda parlamentar para compra de um veículo para o transporte adequado dos atendidos no Berçário Especial. O recurso está em andamento e será enviado pelo deputado federal Arlindo Chinaglia.

O vereador também levou a demanda das mães à secretária de Saúde de Birigui, Cássia Rita Santana Celestino, em reunião ocorrida na Associação de Moradores do Bairro Thereza Maria Barbiere em junho. No entanto, ainda não houve nenhuma decisão a respeito do retorno das atividades ou mudanças.

Mastelaro destaca que o problema do berçário se arrasta há anos, sem que fosse dada uma atenção especial ao serviço, que pode até não ser mais prestado. Além da importância do acolhimento das “crianças” com paralisia cerebral, o vereador lembra que é preciso atenção especial às famílias, a maioria carente e que precisa de suporte psicológico.

Requerimentos

Em fevereiro, Wagner Mastelaro protocolou o primeiro requerimento sobre o assunto, pedindo informações específicas sobre o serviço prestado aos usuários do Centro de Atendimento Especial, tais como plano de trabalho, número de atendidos, demanda reprimida, equipe técnica, veículos, etc.

Em resposta, a Prefeitura informou que o local estava fechado em razão da pandemia e que apenas após a retomada do atendimento teria condições de responder aos questionamentos.

No início deste mês, o vereador fez novo requerimento sobre o serviço, solicitando informações sobre o atendimento de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional para as crianças atendidas no berçário, e a data de retorno das atividades. O documento foi aprovado na última sessão da Câmara e encaminhado ao Executivo .

Outro lado

Questionada pelo Hojemais Araçatuba, a Prefeitura informou apenas que não há uma data prevista para o retorno dos atendimentos, “conforme informado a um grupo de mães que esteve reunido recentemente com a secretária de Saúde”.

No entanto, disse que a administração municipal pretende realizar melhorias necessárias para o bom atendimento às crianças.



















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