Cotidiano

Inauguração de PA marca o ressurgimento da Unimed em Penápolis

Superintendente lembrou que a cooperativa perdeu o hospital ao ter que desocupar o prédio que foi alugado pela Prefeitura para ceder ao AME, cuja gerenciadora foi alvo da operação Raio-X

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
08/05/23 às 18h50

"Bem-vindos à nova forma de cuidar da saúde em Penápolis!". Foi com essa frase que a superintendente da Unimed Penápolis, Mirela Fink Hassan Rufato comemorou a inauguração do Pronto Atendimento da cooperativa médica na cidade na noite da última sexta-feira (5).

Durante a cerimônia ela fez questão de citar que a entrega do prédio próprio marca o ressurgimento da Unimed de Penápolis, que tem como meta voltar a ter um hospital, o qual foi fechado entre o final de 2018 e início de 2019.

Por muitos anos ele funcionou em um prédio da família Valente, que era alugado, e teve que ser desocupado às pressas, de acordo com ela, por determinação da Prefeitura, para a instalação do AME (Ambulatório Médico de Especialidades), que não saiu do papel.

Tradição

Mirela comentou durante a inauguração que foi um médico penapolense, Edmundo Castilho, que em 1967 iniciou o primeiro trabalho de cooperativa médica no Brasil. Ainda de acordo com ela, em 1994 foi criada a Unimed Penápolis, cujo presidente paz parte da equipe até hoje.

Ela chegou em Penápolis em 2002 e ingressou na cooperativa como médica pediatra. Desde então, acompanhou o crescimento da Unimed, que conquistou beneficiários e conseguiu montar o hospital próprio, que tinha 30 leitos, três salas cirúrgicas e capacidade para atendimentos de baixa, média e até alta complexidade.

Desocupação
Entretanto, segungo Mirela, o hospital deixou de existir em 2018, quando o prédio teve que ser desocupado às pressas para a instalação de um AME (Ambulatório Médico de Especialidades), que foi autorizado pelo então governador do Estado, Marcio França (PSB), em 2018, mas não saiu do papel até hoje.

O Estado chegou a contratar a Associação Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu para gerenciar o ambulatório, que teve a instalação suspensa pelo governador João Dória (PSDB), que venceu Marcio França nas eleições.

O Estado suspendeu o contrato com a Santa Casa de Pacaembu, que em 2020 foi alvo da Operação Raio-X, da Polícia Civil de Araçatuba, e que resultou na condenação do médico anestesista Cleudson Garcia Montali a mais de 200 anos de prisão.

O secretário de Saúde de Araçatuba também foi condenado por irregularidades no contrato com a Santa Casa de Birigui para gerenciar o pronto-socorro de Penápolis. O projeto de gerenciamento também seria de responsabilidade de Cleudson, apontado como líder de uma organização criminosa que desviava dinheiro público da área da Saúde.

Escândalo

Durante o discurso de inauguração, a superintendente da Unimed Penápolis relacionou a perda do hospital da cooperativa médica ao esquema investigado pela Polícia Civil.

"Nós penapolenses pudemos ter nossos filhos aqui (se referindo ao Hospital Unimed), pudemos fazer nossas cirurgias aqui, mas infelizmente o destino colocou uma situação muito complicada dentro da nossa cidade de Penápolis, como todos sabem. Fomos vítimas da maior corrupção na Saúde, tanto pública quanto pivada, e assim o nosso hospital foi desfeito", declarou.

De acordo com ela, em semanas o prédio teve que que ser desocupado e o atendimento retornou para o prédio da Santa Casa, com a anuência da diretoria que administrava a Unimed na época, que também tinha em sua diretoria proprietários do prédio cedido para a Prefeitura para instalação do AME.

Virada

Porém, ela contou que essa perda serviu de incentivo para que os atuais diretores da cooperativa médica decidissem se unir e montar uma chapa para disputar a eleição, que foi vencida com quatro votos de diferença.

Ainda de acordo com ela, os diretores colocaram dinheiro do próprio bolso para por em prática o projeto de construir o Pronto Atendimento, que levou dois anos para ser concluído e custou cerca de R$ 8 milhões. "Hoje é com muito orgulho, com muito carinho, que eu apresento uma nova forma de cuidar da saúde em Penápolis" , declarou ao descerrar a placa em comemoração à inauguração.

Hospital

Durante a cerimônia, o vice-presidente da Unimed Penápolis, o médico Fábio Gerbasi, citou que a inauguração do Pronto Atendimento é apenas parte da realização de um sonho e que a ideia é voltar a ter um hospital, que segundo ele, a cidade precisa.

"Hoje a Unimed de Penápolis passa a ter uma identidade, ela não tinha, hoje a gente tem uma casa, a gente não tinha, sempre de aluguel, sempre pulando de um lado, de outro e hoje, com a coragem que nós tivemos de fazer e enfrentar, conseguimos chegar a esse ponto com a ajuda de todo mundo", disse.

Diretoria da Unimed Penápolis tem como meta reconstruir o hospital que foi desativado em 2018 (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)

Equipamentos do Hospital Unimed foram cedidos à Santa Casa

Segundo a médica Mirela Fink Hassan Rufato, quando os equipamentos do Hospital Unimed foram retirados do prédio para a instalação do AME (Ambulatório Médico de Especialidades), eles foram levados para um barracão. "Em menos de um mês foi preciso desmontar o hospital", conta.

De acordo com ela, como o espaço na Santa Casa comportava apenas o Pronto Atendimento, os equipamentos que eram usados no hospital foram emprestados para a Santa Casa e ainda são utilizados, sem custo.

Ainda segundo Mirela, esses equipamentos ajudam no faturamento do hospital, que de acordo com ela, na região foi o que mais realizou cirurgias eletivas no mutirão promovido pelo governo do Estado no ano passado, somando 800 procedimentos.

Com a mudança do Pronto Atendimento para o novo prédio, o que deve ocorrer nos próximos dias, o espaço que hoje é utilizado pela Unimed também ficará à disposição da Santa Casa, possibilitando aumentar ainda mais os atendimentos.

Sem o AME Penápolis, prédio abrigou Hospital de Campanha

Hospital Unimed foi desativado para instalação do AME e depois do Hospital de Campanha (Forto: Divulgação)

Com a suspensão da instalação do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Penápolis, determinada pelo então governador João Doria (PSDB), em 2019, após vencer a disputa com Marcio França pelo governo do Estado, o prédio que havia sido desocupado pelo Hospital Unimed continuou alugado pela Prefeitura por R$ 50 mil mensais.

Matéria publicada no site da Prefeitura de Penápolis em 15 de janeiro de 2019 informa que no dia 14, a OSS Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu havia dado início às reformas e adequações do prédio, pertencente à família Valente.

Nessa mesma matéria um representante da Santa Casa de Pacaembu informou que era preciso aguardar a retirada de todos os equipamentos por parte da Unimed para efetivar os trabalhos necessários para que o AME Penápolis pudesse começar a funcionar.

A previsão da Secretaria Municipal de Saúde, segundo a publicação, era de que o AME Penápolis deveria ser inaugurado até a primeira quinzena de maio de 2019.

Em fevereiro daquele ano, após a suspensão do contrato com a Santa Casa de Pacaembu, o então prefeito, Célio de Oliveira, esteve em São Paulo com uma comitiva de vereadores e foi informado que a previsão seria de que o recurso para o custeio do AME de Penápolis poderia ser incluído no orçamento de 2020, quando o serviço poderia ser implantado.

Covid-19

Isso não aconteceu e com a pandemia da covid-19, em março de 2020, a Prefeitura decidiu utilizar o prédio para instalar um Hospital de Campanha. Ele foi inaugurado em 22 de maio e, conforme matéria publicada no site da Prefeitura, foi montado em menos de 40 dias e entregue já com os leitos habilitados pelo governo do Estado.

Conforme matéria publicada pelo Hojemais Araçatuba em 15 de fevereiro do ano passado, o TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado) rejeitou as contas da OSS que gerenciou o Hospital de Campanha de Penápolis e recomendou que a entidade devolva R$ 441,5 mil dos quase R$ 6 milhões que recebeu do Ministério da Saúde, devido a irregularidades encontradas irregularidades em todas as relações sociais e profissionais.

Além disso, o diretor técnico da unidade foi preso na operação Raio-X, deflagrada pela Polícia Civil de Araçatuba, e condenado a 21 anos, 2 meses e 20 dias de prisão pela Justiça de Penápolis. Ele recorre da decisão em liberdade.

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