Cotidiano

Poluição em Araçatuba está duas vezes pior do que o recomendado pela OMS

Nível alto de material particulado fino se deve à estiagem, queimadas locais e da Amazônia, afirma especialista

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
26/08/21 às 21h49
Imagem resgistrada por volta das 15h nesta quinta-feira (Foto: Manu Zambon/Hojemais Araçatuba)

O mês de agosto está sendo marcado pelo predomínio de fumaça, fuligem e poeira em todo Estado de São Paulo. Em Araçatuba (SP), há dias a população sofre com a presença de poeira no ar. 

Com a baixa umidade, os incêndios são mais frequentes, o que acaba afetando diretamente nos índices de poluição.  

Nesta quinta-feira (26), às 18h45, Araçatuba (SP) estava com o índice de 55 µ g/m³ de material particulado fino (MP2,5). O número é mais de duas vezes pior do que o recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para a média diária, que é de 25 µg/m³. Anualmente, o recomendado é o número se manter abaixo de 10 µg/m³. 

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) considera como ruim o índice entre 50 e 75. 

O MP2,5 possui tamanho microscópico e, quando é liberado no ar, pode entrar facilmente nas vias respiratórias, causando problemas de saúde, como asma, pneumonia, entre outros. Esse material é emitido pela queima de combustíveis fósseis e de matéria orgânica. 

Em Araçatuba e região, incluindo Lins, o nível se deve à estiagem, queimadas locais e da Amazônia (AM), afirma o engenheiro civil, professor e pesquisador da Unilins (Centro Universitário de Lins), Ricardo Molto Pereira. 

Segundo Pereira, que tem um medidor de poluente em sua residência, em Lins, ontem o aparelho chegou a medir 375 µg/m³. A legislação estadual (DE nº 59113/2013), de acordo com a Cetesb, estabelece que é considerado caso de emergência o nível de 250 ou mais de MP2,5 durante 24 horas.

MP10

Quanto ao nível de MP10, que se são partículas inaláveis mais grossas, também são provenientes de incêndios e queima de combustível fóssil, Araçatuba atingiu a marca de 243 às 11h nesta quinta-feira, segundo a Cetesb. O índice acima de 200 é considerado péssimo pela companhia. 

O alto nível de MP10, considerado não saudável para grupos com problemas respiratórios, foi registrado pelo site aqicn (conforme gráfico abaixo), que faz o monitoramento em tempo real da qualidade do ar, com base em dados fornecidos. 

A média da qualidade do ar variou entre ruim e muito ruim durante quase todo o dia, passando para moderada às 20h, conforme o aqicn. 

Queimadas

A reportagem entrou em contato com o Corpo de Bombeiros para verificar se havia alguma queimada no município devido à presença de fumaça. Porém, até às 14h, não haviam sido registrados chamados para controle de incêndio. No entanto, ao longo da semana, a cidade teve alguns registros de focos de queimadas em diferentes regiões. 

Devido ao calor, o Estado de São Paulo passou da marca dos 3.400 focos de queimadas até o dia 25 de agosto, registrados desde o início do ano, segundo dados do satélite de referência de monitoramento do Inpe ( Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), sendo o pior cenário desde o ano de 2010, quando foram registrados 4.042 focos de fogo no mesmo período, de 1 de janeiro a 25 de agosto de 2010.

(Foto: aqicn/Divulgação)

Frente fria

Apesar do IPMet (Centro de Meteorologia) da Unesp de Bauru ter previsto, no início da semana, chuva para este sábado (28), a previsão agora é de apenas nebulosidade sem precipitação. 

Já para o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e o Climatempo, a expectativa é de muitas nuvens com pancadas de chuva e trovoada. No domingo, o tempo segue instável, elevando a umidade mínima para 40%. 

Isso acontece devido a uma frente fria que avança no Estado amanhã (27), trazendo mudança em muitas regiões. Porém, sem previsão de grandes volumes de chuva na maior parte de São Paulo. 

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