A Prefeitura de Penápolis (SP) informou ao Hojemais Araçatuba que foi determinada a averiguação da participação do chefe do Serviço de Ambulâncias, Erlon Paliotta Ferrite, nas invasões aos prédios dos Três Poderes em Brasília (DF), no último domingo (8).
Na segunda-feira (9) o Partido dos Trabalhadores de Penápolis, por meio do advogado Eduardo Macedo, protocolou um pedido de exoneração dele, que ocupa cargo de comissão, ou seja, não é concursado.
A informação obtida pela reportagem foi de que Ferrite ainda não teria retornado para o trabalho, mas fontes ouvidas relataram que o nome dele não consta entre as centenas de presos em flagrante ainda no dia das invasões. A informação extraoficial é de que ele teria conseguido fugir.
Em nota, a Prefeitura afirma que “sempre defenderá o direito ao diálogo, às manifestações e aos debates de ideias, mas qualquer tipo de violência ou violação deverá ser combatido. Em relação a estas atitudes, a lei será cumprida” , diz a nota. Não informado se ele está de férias ou pediu afastamento temporário.
Investigação
A reportagem não conseguiu obter informações sobre quem seria o advogado de Ferrite para comentar o caso. O vídeo gravado por ele subindo a rampa do Planalto, junto com outros manifestantes, circulou pelas redes sociais ainda na tarde de domingo:
"Tomamos essa p.... aqui linda. Ninguém manda nesse c... não, o Brasil é nosso”, diz emocionado . Em seguida ele vira o celular para ao rosto e prossegue: "Invadimos, subimos a rampa. Agora a gente vai lá pro Supremo meter fogo naquela desgraça” , narrou.
Exoneração
Ao apresentar o pedido de exoneração, o advogado do PT local citou que há informações inclusive de que o servidor comissionado seria um dos organizadores da caravana que saiu de Penápolis levando os manifestantes para Brasília.
“Conforme os atos de vandalismo, depredação, terrorista, fascista e anticonstitucional, organizado por grupos bolsonaristas na Capital do Brasil no último domingo, 08/01/2023, resta claro e evidente a liderança do funcionário acima mencionado, considerando os vídeos divulgados e veiculados nas redes sociais com ampla visualização e repercussão em cadeia nacional de internet”, cita o pedido protocolado na Prefeitura.
“O Partido dos Trabalhadores do Município de Penápolis, vem por meio deste, requerer ao Chefe do Poder Executivo, o afastamento do funcionário em cargo de confiança citado, para as devidas investigações sejam apuradas e penalizadas conforme conduta contrárias aos preceitos fundamentais da administração pública, considerando, que as imagens são comprometedoras”, cita.
Prisões
Já há um inquérito instaurado para investigar as responsabilidades dos participantes dos atos ocorridos no último domingo em Brasília. Nele, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, determinou a desocupação e dissolução total dos acampamentos nas imediações dos Quartéis Generais e outras unidades militares para a prática de atos antidemocráticos e a prisão em flagrante de seus participantes pela prática dos crimes previstos na lei dos atos terroristas, inclusive preparatórios; associação criminosa; abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; ameaça; perseguição; e incitação ao crime.
O último balanço divulgado pela Polícia Federal aponta 1.843 pessoas conduzidas pela Polícia Militar do Distrito Federal para a Academia Nacional de Polícia e outras 209 prisões em flagrante foram efetuadas ainda no domingo.
Desse grupo, 684 idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e pais/mães acompanhados de crianças foram identificados e responderão em liberdade, mas 1.159 pessoas foram conduzidas ao sistema prisional após serem qualificadas, interrogas e presas.
Investigação
O advogado Milton Walsinir de Lima, que é de Birigui e está em Brasília ouvindo alguns presos da região de Araçatuba, explicou que por determinação do ministro, durante as audiências de custódia os juízes podem analisar apenas a regularidade formal do ato de prisão. A apreciação de quaisquer pedidos das partes será feita por Alexandre de Moraes.
Com relação à identificação de demais participantes que não foram presos em flagrante, a investigação segue em andamento e mandados de busca e de prisão podem ser expedidos após análise dos laudos das perícias feitas nos prédios invadidos e das imagens obtidas nos locais e divulgadas pelos próprios participantes.
