Cotidiano

Projeto coleta óleo e evita poluição de 133 milhões de litros de água em Birigui

Iniciativa foi criada pela cooperativa Sicredi Alta Noroeste SP e teve parceria da Secretaria Municipal de Educação

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
21/12/19 às 10h00
Óleo foi comercializado para a empresa ADN -Comércio de Máquinas e Equipamentos (Foto: Divulgação)

Cerca de 6.700 litros de óleo de cozinha e gordura animal, que seriam dispensados no meio ambiente, ganharam um novo destino em Birigui (SP). Por meio do projeto “Óleo das Abelhas”, o material foi recolhido de escolas municipais, poupando 133.000 metros cúbicos de água, ou seja, pouco mais de 133 milhões de litros.

A iniciativa, que teve parceria da Secretaria Municipal de Educação, foi desenvolvida pela cooperativa Sicredi Alta Noroeste SP. Este foi o primeiro ano do projeto e envolveu 16 escolas municipais, que participam do programa “A União Faz a Vida” - iniciativa educacional que visa a prática de princípios de cooperação e cidadania por meio de metodologia de projetos.

O óleo foi comercializado para a empresa ADN -Comércio de Máquinas e Equipamentos, que efetuou a coleta de todo material. Cada litro de óleo arrecado foi vendido a R$ 1; no total, o recurso gerado foi de R$ 6.683, dividido entre todas as escolas participantes, de acordo com o gerente geral da agência Sicredi, José Carlos Rosa Júnior. O recurso foi utilizado para a compra de lousas, geladeiras de água, materiais didáticos, entre outros.

Coleta

“A adesão foi espontânea e envolveu cerca de 5.500 alunos, de oito Ceis ( Centros de Educação Infantil), oito EMs (Escolas Municipais) e uma Emei (Escola Municipal de Educação Infantil). As famílias também tiveram papel importante nessa parceria”, conta a secretária municipal de Educação, Meiriane Aparecida Beltran.

Crianças levavam o óleo usado em garrafas PETs (Foto: Divulgação)

As escolas receberam tambores para coleta e material de divulgação, como folders e cartazes, no primeiro trimestre deste ano. A maioria das crianças recolheu o óleo em garrafas PET de dois livros. Em algumas escolas, as crianças trabalharam com projeto específico do óleo e fizeram saída nas ruas, juntamente com professores e coordenadores, em torno da escola para conscientizar moradores.

“Isso acabou despertando interesse da vizinhança para que também trouxesse óleo de suas casas, comércio, para as escolas, fazendo-as de ‘eco pontos’, destaca Rosa Júnior.

Contaminação

Sendo assim, até este mês, que foi o prazo em que a iniciativa foi finalizada, as crianças conseguiram recolher 6.683 litros de óleo. Para entender a quantidade de água poupada com a ação, o diretor de educação ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Jefferson Rabal, explica que foram estimados, nesse caso, um litro de óleo usado não despejado no meio ambiente, deixa de contaminar quase 20 metros cúbicos de água; cada metro cúbico equivale mil litros de água.

Tambores foram distribuídos nas 16 unidades participantes (Foto: Divulgação)

Segundo o que foi levantado pelo Meio Ambiente de Birigui e Sicredi, a média mensal de óleo de cozinha despejado na rede de esgoto é de 15 mil litros, contaminando 300 milhões de litros de água.

Rabal ressalta as consequências desse descarte irregular do óleo de cozinha na pia. Para ele, quem sofre primeiro são os moradores das casas, por entupir encanamento, provocar vazamentos indesejáveis. Depois, a rede coletora de esgoto, que quando entope por óleo de cozinha ou mesmo resíduos sólidos, causa sérios transtornos para a cidade.

“Quando esse óleo chega nas ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto), ele dificulta o trabalho das bactérias que consomem os dejetos e comprometem a eficiência do tratamento. Por fim, em Birigui, esse óleo chega ao Ribeirão Baixotes. O rio, que abastece 50% da população, recebe o resultado do efluente tratado e se o óleo não foi consumido, irá prejudicar a vida do rio. Peixes, animais, plantas, sofrerão com aquela camada fina de óleo que vai ficar na superfície”, finaliza Rabal.

Continuidade

Segundo Rosa Júnior, o projeto deve continuar no ano que vem e provavelmente chegará em outras escolas que não participaram dessa edição.


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