“Comer é necessário; Refletir também”, é o título da primeira obra literária do promotor de Justiça Adelmo Pinho, que atua no Tribunal do Júri de Araçatuba (SP), mas também é conhecido pelas crônicas que publica semanalmente na imprensa local e regional.
O lançamento ocorreu na sexta-feira (30) na Santo Pão Cafeteria, com a presença de centenas de convidados, marcando o início de uma promissora carreira no mundo literário, pois ele já tem novidades previstas, mas que serão anunciadas no final dessa reportagem. Por enquanto, vamos falar um pouco da trajetória do autor. Adelmo Pinho contou ao Hojemais Araçatuba que há mais de duas décadas escreve textos relacionados à área jurídica.
Ele é coautor de “Manual Básico de Saúde Pública” , um livro sobre saúde pública produzido em conjunto com os promotores de Justiça Marcelo Sorrentino Neira, Dório Sampaio Dias, Fabiano Pavan Severiano e Fernando César Burguetti, com participação da especialista na área de Saúde de Penápolis, Lenise Patrocínio Pires Cecílio. Lançado pelo Ministério Público em 2012, foram produzidos 20 mil exemplares que foram distribuídos nas cidades da região.
Literatura
Já o interesse pela produção de crônicas e artigos, segundo Adelmo Pinho, surgiu há cerca de três anos. O incentivo maior, de acordo com ele, foi a indignação com muitas coisas que discorda na sociedade atual e que podem ser aperfeiçoadas.
"Já li muitas crônicas de vários autores, mas em especial, gosto muito dos textos e livros de Machado de Assis, sendo ele uma fonte de inspiração e perfeição; mas, sou um mero aprendiz na arte da literatura. Machado de Assis foi um gênio, equiparado mundialmente a Shakespeare. A literatura nacional é muito rica. Precisamos conhecê-la melhor, para entender a sociedade brasileira como ela é, a desigualdade social e o preconceito estrutural que a domina", explica.
Basta ler as crônicas publicadas por Adelmo Pinho para perceber o quanto a filosofia é importante na formação dele. "Gosto muito de filosofia. A filosofia é residual; tudo o que não for ciência, é filosofia. Ela explica o ser humano, a vida, o amor, a natureza, a política, a justiça ... Por isso que os filósofos e pensadores em geral desagradam quem detém o poder para fins particulares, porque costumam lançar publicamente ideias novas, que podem atrapalhar os interesses de maus governantes. Lidar com ignorantes é mais fácil ...", argumenta.
Livro
Adelmo Pinho conta que “Comer é necessário; Refletir também” , é resultado da compilação dos diversos artigos e crônicas que já escreveu. Para compor o livro, ele optou por escolher os textos que mais poderiam levar as pessoas a refletir, sobre temas que reputou importantes e que mais afligem a sociedade.
O autor explica que o título da obra possui relação a algo que é vital ao ser humano, a alimentação (comer), equiparando-a ao ato de refletir, que é exclusivo do ser humano. "Bicho come para sobreviver, como o homem, mas não pensa. A reflexão é uma forma especial de pensamento, algo maior no pensar sobre determinado assunto", explica.
Adelmo Pinho conta que pensou em escrever textos sobre temas variados, por acreditar serem mais atraentes aos leitores, para que se tenha interesse em ler e pensar sobre assuntos diversos. "Precisamos de uma visão contextual do mundo e não seccionada. É também uma forma de incentivar a leitura. O Brasil está no final da fila no mundo da leitura, como apontam pesquisas internacionais, como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). A cultura e a literatura precisam de fomento. Livrarias estão fechando ... A educação no país precisa evoluir muito para ser mediana", comenta.
O Hojemais Araçatuba perguntou se ele acredita que as gerações atuais têm tido menos interesse pela leitura tradicional devido à modernidade tecnológica. Para o autor, a nova geração de pessoas apenas pratica a leitura de forma diferente da tradicional, dos séculos passados.
"A leitura, depois da criação da internet, feita através de computadores e máquinas, é diferente do livro físico, mas não deixa de ser importante. Tudo tem a sua beleza e utilidade. O problema, parece-me, é que no mundo atual impera a tacocracia, ou seja, tudo é acelerado. Para os jovens, ler um livro, físico e com muitas páginas, principalmente, pode significar “perder tempo”, quando, na verdade, é o contrário" , diz.
Prazer
E esse mundo onde as pessoas são cheias de atribuições não é exclusividade dos mais jovens. Por isso, Adelmo Pinho foi questionado sobre como encontra tempo para produzir textos semanalmente para serem compartilhados com o público por meio da imprensa.
"Escrever para mim é prazeroso. Gosto muito de ler, isso ajuda a escrever e ter ideias inovadoras. A leitura estimula o senso crítico, aumenta a concentração e alimenta o cérebro. Tempo para isso se faz, embora algumas vezes com sacrifício pessoal e familiar. Muitos desses textos são ideias extraídas de vários livros. Já li livro com mais de 400 páginas, para resumir a ideia num artigo de poucas linhas, não sendo uma tarefa fácil. Mas, se for útil a um leitor, já valeu a pena. Por isso, penso que o escritor precisa ser mais valorizado no Brasil, o que tenho aprendido com o contato com escritores veteranos", conta.
Agora vem a surpresa: quem pensa que Adelmo Pinho pretende parar com a publicação de “Comer é necessário; Refletir também”, se engana. Ele revelou que já tem outro livro finalizado, mas com um formato e proposta totalmente diferentes deste atual. "O tema não vou adiantar e nem o gênero literário, mas acho que será interessante para o leitor", adianta.
De acordo com ele, quem ficou curioso terá que esperar até o próximo ano, quando pretende apresentar o novo livro. "Penso que um livro depois de publicado, deixa de pertencer ao autor, passando a ser da sociedade. Publicar este livro não é um projeto do ego, mas uma forma de discutir sobre a vida, ideias, pessoas e a sociedade contemporânea, que nada tem de perfeita", finaliza.
