Cultura

Araçatubenses se destacam no cenário internacional da dança

Para marcar o Dia Internacional da Dança, bailarinos de Araçatuba contam suas experiências nos palcos estrangeiros 

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba 
27/04/19 às 14h00
Marcos é solista há dois anos na companhia Staatsballett, de Augsburg, na Alemanha (Foto: Jan-Pieter/Divulgação )

Martha Graham, dançarina e coreógrafa norte-americana, que viveu entre os séculos XIX e XX, reconhecida por ter revolucionado a história da dança moderna, disse: “Grandes bailarinos não são grandes por causa de sua técnica, mas por causa de sua paixão”.

E de paixão e dança esses araçatubenses entendem. Nascidos em Araçatuba (SP), os dançarinos ganharam o mundo com os seus passos coreografados. Para marcar o Dia Internacional da Dança, comemorado nesta segunda-feira (29), conversamos com profissionais que iniciaram suas trajetórias no município e já alçam voos em palcos internacionais.

Com 26 anos, Marcos Vinícius de Almeida Novais fez da Alemanha não só o seu lar, mas uma oportunidade de se projetar no cenário da dança. O bailarino iniciou sua trajetória no balé municipal de Araçatuba, aos 10 anos. Estudou balé contemporâneo, sapateado, jazz e outros ritmos na academia Stella Maris por oito anos.

Depois que completou 18 anos, foi para São Paulo participar de um ensaio e viu que era na Capital que poderia ter mais oportunidades. Participou de um curso de férias no Pavilhão D, de Ricardo Scheir, onde recebeu uma oferta de bolsa de estudos. “Em dois meses larguei tudo, tranquei a faculdade, vendi minha moto e me mudei pra São Paulo”, lembra.

Vida

Também ficou por quatro anos no Balé da Cidade de São Paulo, época em que fez sua primeira turnê pela Europa. Após aceitar um convite que recebeu para atuar fora do País, ocupa o posto de solista há dois anos na companhia Staatsballett, de Augsburg, e a partir de agosto começa um novo trabalho com o grupo alemão Hessisches Staatstheater Wiesbaden, em Wiesbaden, capital do estado Hesse.

“Aqui na Alemanha está sendo um desafio interpretar a peça “Your Face”, do coreógrafo americano Peter Chu, que é uma peça que fala sobre problemas psicológicos”, conta. Além da Alemanha, também já se apresentou na Suíça, Colômbia, Espanha, e por todo o Brasil.

“A dança para mim é vida, é o ar que eu respiro, o alimento que meu corpo precisa e o mais alto que meus voos podem alcançar. Quando estou no palco, esqueço de tudo o que existe, as dores, as contas para pagar, a saudade da família e do quão duro e árduo foi chegar até onde estou”.

Um dos trabalhos de Jéssika é como dançarina de games (Foto: Mangaba Produções)

China

Jéssika Neres Mendonça, de 30 anos, também nasceu e cresceu em Araçatuba. Dança desde criança e é especializada em hip-hop e dancehall (stilo musical popular jamaicano). “Quando terminei a faculdade de Educação Física, decidi por mim mesma que queria ir à América e depois de uma longa pesquisa decidi ser au pair”. O termo au pair é designado à quem faz intercâmbio cultural.

Em 2017 recebeu uma proposta de trabalho para ir à China e ficar alguns meses atuando com um time de dança. Após esse período, conseguiu outros trabalhos e decidiu continuar a empreitada em Xangai. A principal atuação de Jéssika é na empresa Ubisoft, que desenvolve o jogo Just Dance.

O jogo foi lançado há 10 anos e se baseia nas coreografias de um dançarino virtual na tela. Para esse trabalho, ela explica que precisou passar por cinco fases até ser selecionada.

Além de nunca ter imaginado trabalhar no segmento, Jéssika conta que não pensava que a repercussão seria grande. “Antes mesmo de lançarem as coreografias no jogo, já recebia mensagem de pessoas perguntando se eu era a menina do videogame. É muito gratificante e gostoso. Um dos melhores trabalhos que tenho”.

Mariana também atuou em um projeto na Áustria (Foto: Fábio Bottiroli)

Cruzeiro

A araçatubense Mariana Yoshida, de 29 anos, começou no balé clássico aos 7 anos. Com 17, após estudar sapateado e dança contemporânea, prestou vestibular de dança na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e passou.

Hoje, bacharel em dança, sua atuação é em alto mar. Ela e mais 12 dançarinos de outros países integram o corpo de espetáculos do cruzeiro Princess Cruises. A bailarina participa de quatro espetáculos e duas coreografias menores.

Mariana, após ter passado por ensaios em Los Angeles, embarcou no navio há duas semanas com o itinerário México, Canadá e Alasca. Já o seu retorno ao Brasil está marcado para outubro.

Mas essa não é a primeira vez que Mariana atua fora do País. Em 2015, esteve entre os 10 bailarinos brasileiros selecionados de um total de 400, para integrar um projeto de dança Biblioteca do Corpo, em Viena, na Áustria, com o coreógrafo brasileiro Ismael Ivo. 


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