Quedma Borges (Foto: Divulgação)
“Mas, e Rita Lee? Não existe fada nem conto-de-fraldas. Mas, e Rita? Nada de feitiços, princesas encantadas, musas e bruxas. Mas, e Rita? Não existe lero-lero, lúdica e lírica. Mas, e Rita? Fuxico, chicotinho queimado nem criança. Isso irrita!!! Mas, e Rita? Tirim tirim tirim. Dim dim, abre-se o pano do outro lado do espelho. É Rita.”
Quem assina o poema acima é Tom Zé, diretamente dos anos 80, que assim como Rita Lee, também fez parte do movimento musical Tropicália. A cantora coleciona dezenas de homenagens como essa, póstumas ou não, que são frutos de uma trajetória eletrizante e muitas vezes, psicodélica.
Será que existe uma pessoa que não saiba cantarolar um dos refrões de suas músicas? Ou ao menos ter ouvido falar de Rita Lee Jones? Rita jamais será esquecida e se depender de alguns artistas da região, seu reinado continuará com muitos súditos.
Esse é caso da cantora Quedma Borges, natural de Penápolis (SP), que atualmente integra a banda
Rock'nboles
, nome que inclusive foi sugestão da própria Rita, em 1996, segundo o produtor, músico e fundador do grupo, Tony Fonseca.
A banda tem conquistado alguns espaços importantes na música. Na última segunda-feira (8), foi destaque no programa “Faustão na Band”, participando do 10º episódio do quadro “Estrelas da Voz“. Agora, o grupo se prepara para se apresentar na semifinal, que ainda será gravada. Quem quiser acompanhar a banda, pode acessar o Instagram
@ritaleecover.oficial
Quedma e Tony conversaram com a reportagem do Hojemais Araçatuba nesta quarta-feira (10), pouco antes deles irem ao velório da artista, que aconteceu no Planetário, do Ibirapuera.
"É muito gostoso fazer Rita"
A cantora atua na música há mais de 20 anos e integra a banda há cerca de um ano e meio. Quedma se identifica com todo universo da MPB e tem uma profunda ligação com Rita, desde criança, quando começou a cantar suas músicas.
Ela lembra que na região de Araçatuba, cantou em diversos bares e casas de show, sempre prestigiando Rita em seus repertórios. “
É muito gostoso fazer Rita
”, destaca Quedma, que ainda usa figurinos que são réplicas dos originais. Inclusive, o produtor lembra que a banda é a única a usar roupas reconhecidas em documento assinado pela própria Rita.
Embora somente Tony tenha conhecido Rita pessoalmente, e estado com ela em algumas ocasiões, a admiração de Quedma pela cantora não é menor que a dele.
“Eu amo eternamente, no meu coração. Minha total admiração por Rita Lee, que trouxe tantas mudanças para nós mulheres, para os seres humanos em geral”.
Acompanhe a entrevista na íntegra:
Banda 7 Glórias toca Os Mutantes e Rita Lee na região de Araçatuba
Banda 7 Glórias (Foto: Manu Zambon/Divulgação)
Da paixão por Rita Lee e Os Mutantes, pelos sons, performance e tudo o que eles representam para a música, nasceu a banda 7 Glórias, de Araçatuba.
“Em Araçatuba e proximidades, a gente não via bandas tocando especificamente esse repertório, que parte lá das primeiras composições do trio, do final dos anos 1960, até sons da Rita do começo dos anos 2000. A gente queria curtir um rolê com esses sons e não tinha. Então a gente mesmo foi fazer”, explica a vocalista da banda, Talita Rustichelli.
Talita se uniu a Eduardo Martinez (baixo), Fernando Patrocínio (guitarra) e Tiago GP (bateria), e juntos dão vida às várias glórias de Rita, desde 2016. O nome curioso surgiu após a criação da banda, em um dos ensaios. “Num dos ensaios a gente estava passando pela primeira vez a música ‘Desculpe, babe’, e no fim ficamos em dúvida sobre quantas vezes o refrão repetia. Eu disse: 'são 7, 7 glórias'. O refrão é 'Glória, glória…', repetido 7 vezes. Na verdade, seriam 14 glórias (...), mas achamos o 7 mais místico”, brinca Talita.
Legado
Para Eduardo Martinez, o título “Rainha do Rock”, repetido milhares de vezes para se referir a ela, pode ser limitador pensando na Rita Lee por completo. “
Ela foi uma personalidade tão transgressora e criativa, que vai além do círculo delimitado por um estilo musical”. Já sobre a representatividade feminina, para ele, a "contribuição é gigantesca
", já que Rita foi pioneira em inserir a mulher como protagonista no rock.
“Fi
co imaginando quantas meninas não foram atrás de guitarras e bandas depois de ver a Rita nos palcos, na Tv, sendo protagonista em um universo muito masculino. Entre essas “meninas”, Cássia Eller, Pitty e tantas outras, famosas ou anônimas
”, completa Martinez.
Talita acredita que o rock é apenas um dos recortes da carreira de Rita. “
Ela disse em algumas entrevistas que quando lhe diziam que para fazer rock tinha que ter 'culhões', ela falava que ia fazer rock com os ovários e o útero. Rita era assim, autêntica, debochada, sem medo de dizer o que pensava. E isso lhe rendeu amores e ódios. Da gente aqui ela só teve amor!
”, afirma Talita. Rita Lee furou a bolha do rock e "
se permitiu experimentar o pop, por exemplo, ao consolidar sua parceria de amor e de música com o marido Roberto de Carvalho
", completa Talita.
“
E tem outra coisa também que vale muito ressaltar, que é o fato de a Rita Lee cantar o amor e o sexo, cantar a mulher como um ser livre para essas duas coisas. Quando a gente escuta, por exemplo, “Lança Perfume” (“me vira de ponta cabeça/ me faz de gato e sapato/ me deixa de quatro no ato/ me enche de amor”), ou “Mania de você” (“molhada de suor/ de tanto a gente se beijar/ de tanto imaginar loucuras”)... Gente, isso é demais. É uma mulher falando de desejo, tesão, atração, com a naturalidade com a qual isso deve ser tratado, isso tocado nas rádios, nas TVs, enfrentando os 'bons costumes”'e o falso moralismo
”, finaliza Talita.
Para conhecer mais da banda, acesse
@banda7glorias
(Instagram) ou
Banda 7 Glórias
(Facebook)